Blog do músico, que aborda os mais diversos assuntos: música, literatura, cinema, futebol, viagens, pensamentos, enfim, mais um espaço cibernético aconchegante para se trocar idéias... bem vindos!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Luizão Maia.

Há pouco estava em um restaurante com amigos quando uma canção que adoro, de um de meus discos prediletos, começou a tocar ao fundo: "Bye Bye Brasil", de Chico Buarque.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Internet & Copyrights - enfim a democracia?

Outro dia comentava com um grande amigo músico como está difícil ouvir música nas rádios e tvs abertas. Estou aqui me referindo à música "não comercial" - ou àquela programação que 'em teoria' (mas só em teoria), não se encaixa nos 'padrões' de mercado (justamente a que ouço no meu ipod, invariavelmente).
Mas aí é que está, não falo dos artistas menos 'famosos' (embora não menos geniais) como J.T Meireles e os Copa 5, Donga, Bola 7, ou João da Bahiana, mas de nossos 'medalhões' - Chico Buarque, Tom Jobim, Edu Lobo, Moacir Santos - que há tempos são simplesmente ignorados pela grande maioria das estações ou, nas poucas que ainda são 'tocados', não o são suficientemente.
A coisa é mesmo grave... ou melhor... seria - parece que finalmente a luz acaba de surgir forte no fim do túnel.
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Há alguns dias, ao receber em casa o demonstrativo trimestral de recolhimento de direitos autorais e conexos, deparei-me com um tópico novo, já com direitos a serem recebidos, que indicava: "execução em internet".
Aquilo me deixou 'encafifado', pois nunca antes havia recebido sobre execução em internet no Brasil (inclusive cheguei a pensar que pudesse ser algum engano do ECAD!).
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Pois bem, abro o Estado de São Paulo de hoje e, ao ler a notícia abaixo, quase abro um vinho para brindar, logo de manhã - não era equívoco nenhum.
Ainda que timidamente, foi dado início ao repasse dos famigerados 'direitos sobre execução em internet', algo recentíssimo, até há pouco inédito no país.
Por isso mesmo, é claro que ainda existe um longo caminho de adaptações e ajustes pela frente, especialmente em um país como o nosso onde a legislação de direitos autorais e os órgãos que a aplicam em geral são nebulosos e obsoletos... e de fato não caminham de mãos dadas com compositores, intérpretes, artistas, enfim.
Mas a notícia, em si, é fantástica e animadora!
E o mais importante de tudo, e o que realmente me deixou contente, foi testemunhar o gosto dos internautas ali impresso, absolutamente alheio à programação padrão de rádios e tvs - muito mais plural, brasileiro, democrático! Afinal, na internet cada um ouve o que quer, quando quer, e da forma que quer.
Vejam que maravilha (atentem-se à lista dos autores, intérpretes e músicas mais tocadas!):
O Estado de São Paulo - "Pela Primeira vez, Música na rede recebe direitos"
sábado, 27 de novembro de 2010
Beautiful song
domingo, 21 de novembro de 2010
Lançamento "Flor de Fogo" no Sesc Pompéia!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Texto release 'Até amanhã'
Ao acompanhar mais de perto o trabalho e a fantástica trajetória de Ricardo, claramente nota-se que, além do extraordinário instrumentista, trata-se de um grande compositor e arranjador, lírico e original, qualidades essas impressas em seus diversos discos solos - Skylight, Bom de tocar, Amazon Secrets, Smallworld, Storyteller, Noite Clara, Outro Rio.
Ele tem uma maneira absolutamente peculiar de tratar o ‘tocar’ e o ‘compor’,como dois universos independentes, mas que se encontram e se harmonizam perfeitamente. Isso é raríssimo, especialmente em um instrumentista desse porte.
Sendo um craque absoluto, um virtuose em seu instrumento, Silveira improvisa com total fluência, sempre de forma muito expressiva e eloquente, e domina de forma inpressionante tanto a linguagem brasileira do rítmo e da poesia como a americana dos encadeamentos harmônicos.
Por outro lado, como compositor, seus alicerces vêm da grande canção brasileira. Mesmo quando envernizadas pelo Choro, Jazz, funk, folk ou rock, as composições de Ricardo revelam-nos um cancionista apaixonado.
Após escutar ‘Até Amanhã’, os primeiros sentimentos que me vieram foram os de surpresa e gratidão.
Surpresa pela absoluta reinvenção de cada um dos temas já conhecidos, e aqui regravados.
As faixas foram revestidas em arranjos e performances que as
tornaram atemporais; seja pela concepção de base, toda gravada
‘ao vivo’ por um ‘power-trio’, com o qual Silveira vem excursionando ultimamente e construindo uma cumplicidade e afinidade incríveis;
Seja pelos arranjos sofisticados e inventivos de Vittor Santos, Marcelo Martins, Jessé Sadoc e dele mesmo, ou pela sonoridade belíssima do CD,bem acústica e fiel, sem muitos efeitos.
Gratidão, pois trata-se de um disco de celebrações – aos amigos, às parcerias, ao violão e a guitarra, à brasilidade, à própria música e
à vida, e Ricardo gentilmente nos convida a todos a participar desse
evento na mais privilegiada das condições – a de degustadores da
música resultante desse encontro especial.
Talvez por isso mesmo ‘Até amanhã’ seja tão profundamente
generoso com os instrumentistas e arranjadores participantes. Traz
fundamentalmente o melhor de cada um, pois coloca-os sempre à
vontade dentro de suas especialidades (e aqui, o mérito é do Ricardo produtor).
Se Ricardo Silveira já consagrou-se como uma indiscutível e imensa referência em seu instrumento pelo mundo afora , neste projeto nos
mostra que o grande artista nunca se acomoda em seus próprios
louros - ao contrário, reinventa-se, ousa, arrisca, inquieta-se.
E é justamente exercendo esta qualidade inerente aos grandes, que
Ricardo acerta mais uma vez, em cheio - com este golaço de placa.
Vida longa a este grande artista e a este novo projeto, ‘Até amanhã’!
Chico Pinheiro
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Victoria Suite - Wynton marsalis & Paco de Lucia
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Avant Garde SP
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Gentle Giant
sábado, 9 de outubro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
There's a Storm Inside.
sábado, 18 de setembro de 2010
USA Trip - Aug./ Sept. 2010

After teaching at The Brazil Camp, performing a couple of concerts with my band in California, and in NYC ( it's been a month), I'm finally back home, after a long long flight . Here's some pictures from the trip. It's good to be on the road, but also great to be back!
California and NYC - August/ Sept. 2010
"Heading Home" Playlist
There's so much music doesn't matter where you are... • Denny Zeitlin - Precipice - Solo Piano Concert
• Christophe Wallemme - Namaste
• Lucian Ban & John Hérbert - Enesco Re-Imagined
• Guillermo Klein - Domador de Huellas
• Absolute Ensemble - Absolute Zawinul
• Mark levine and the Latin Tinge (feat. Mary Fettig) - Off & On
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Is this virtual?
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Futebol.
sábado, 31 de julho de 2010
'Uma Noite em 67'

Não assisti ainda ao documentário sobre o Festival da Record de 1967, de Ricardo Calil e Renato Terra, que estreou ontem nos cinemas aqui em São Paulo.
Um grande amigo cineasta foi à pré-estréia no Rio e me ligou entusiasmado; estava emocionado com os depoimentos dos protagonistas Chico, Caetano, Edu, Gil.... afinal, que fotografia incrível aquela - um momento especialíssimo na música popular brasileira, independente de regime político, religião, economia ou futebol vigentes... falo da música.
No entanto, acho curioso que em todas as reportagens e comentários nos jornais fala-se muito da emoção intensa, da rivalidade acirrada que se instaurou entre as torcidas (levada quase às últimas consequências), do clima à la "gladiadores", de toda aquela guerra, enfim, do 'entorno' que abarcava a disputa musical em si. Um bom exemplo disso é a famosíssima cena de Sérgio Ricardo, quebrando o violão e bradando "vocês ganharam, vocês ganharam!!". depois de atacar os primeiros acordes e tentar em vão entoar "Beto bom de Bola", tamanha a vaia ensurdecedora com que o público lhe saudaria naquela noite.
Falam do cunho político que havia no ar envolvendo todo o evento, das roupas extravagantes e desafiadoras de Caetano e Gil, Rita Lee e os Mutantes, do bom-mocismo de Chico, da sofisticação de Edu e Marília Medalha.
Todos sabemos da barra pesada que aquele pessoal enfrentava na época, inclusive naquele ano específico ( meus pais mesmo contam histórias inacreditáveis) e que, infelizmente, precedia algo ainda pior, o Ato Institucional Nº5, o AI-5 ( 1968).
Porém, sob a ótica musical, artística, faltou falar de um protagonista fundamental, que nenhum dos jornais mencionou devidamente, nenhum.
"A última noite do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 foi um desses raros momentos que condensam e catalisam as forças vivas de toda uma cultura (...) um caldeirão de elementos díspares numa rara e irrepetível sinergia: o berimbau e a guitarra elétrica" Folha de São Paulo.
É verdade. Mas faltou mencionar que o grande responsável pelas guitarras elétricas em "Alegria Alegria" e "Domingo no Parque", assim como pelos elementos claramente eruditos contidos nos arranjos destas canções foi Rogério Duprat.
Ele foi o amálgama, aquele que deu a "roupagem" daquelas canções, e posteriormente à própria Tropicália ( essa afirmação não é minha; Caetano e Gil já o disseram várias vezes).
Seus arranjos, absolutamente imprevisíveis e criativos, juntavam Stravinski com guitarra, berimbau com Stockhausen, mas nunca aleatoriamente, tudo fazia sentido. Rogério foi, sim, um dos personagens principais daquele festival e do que viria depois, como desdobramento desse.
"Colocar guitarra elétrica na MPB era de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra elétrica, eram de esquerda. Houve um radicalismo, um clima de Fla-Flu Musical", Estado de São Paulo.
Quando Jimmi Hendrix usou sua Fender Stratocaster em pleno Woodstok ( 1969) para genialmente protestar contra a guerra do Vietnam, tocando o Hino Nacional Americano todo entrecortado por sons de bombas simuladas no instrumento, a guitarra naquele momento não representou nem um pouco o status de simbolo do "Imperialismo", mas sim seu mais ferrenho opositor.
Na minha opinião, à sua maneira e guardadas as devidas proporções, Duprat faria o mesmo ao reunir patrícios e argentinos (Beat Boys) para tocar música brasileira, usando guitarras elétricas e orquestra sinfônica em plena repressão, numa época em que 'internet' era, quanto muito, um fetiche de filme de ficcão científica (portanto não podendo escancarar "globalização" nenhuma). Isso não era para qualquer um.
Entendo perfeitamente que à primeira vista, aos olhos e ouvidos daquele público, qualquer coisa made in USA não fosse bem aceita (pudera!), mas Rogério mirava muito além de uma rasa apologia ao imperialismo Ianque. Muito pelo contrário. Era um ato bastante corajoso, contestador, mas sobretudo bem humorado em meio àquele clima de guerra. O maestro, afinal, era um tremendo gozador! Apenas com arranjos e postura artística mostrava o quão era possível esparramar-se por universos tão díspares, dialogando de forma original e provocativa, sem no entanto deixar de ser brasileiro ou coerente. A arte então transgredia e se sobrepunha a tudo, inclusive nacionalidades.
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Esse teor agregador e ao mesmo tempo desafiador do Duprat me lembrou um outro fato, atual e fantástico (embora esse não tenha nenhuma relação com o festival de 1967)- Daniel Barenboim e Edward Said, um judeu e um palestino, um maestro e outro intelectual, dois expoentes de peso em suas respectivas áreas, juntaram-se para criar a West-Eastern Divan Orchestra que, através da música, coloca judeus e árabes tocando sob a mesma pauta, lado a lado. Impensável?
E alguém ainda duvida de que a música tem, além de tudo, o poder intrínsico de elemento transformador, revolucionário e evolutivo, mas sorrateiramente encrustado apenas em melodias, acordes, arranjos e versos?
Ou como diria Guimarães Rosa: "o Diabo, é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro - dá gosto!"
Vivam os arranjos, melodias, acordes e versos de Rogério Duprat, Jimmi hendrix, Baremboim e Said.



