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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Eu também não aceito!

Que pelo Brasil há um sentimento de indignação e revolta contra a corrupção e ilegalidade instauradas no Congresso e sobretudo na política em geral, já sabemos. Está tudo aí, às claras, para quem quiser ver.
Agora resta-nos encontrar uma saída para que finalmente tais atos sejam devidamente coibidos e punidos, com rigor e sistematicamente (e não apenas eventualmente). A falta de escrúpulo que corre 'livre, leve e solta' pelos porões do poder é sem dúvida vergonhosa, estarrecedora.
Mas parece que não se sabe o que fazer contra isso; "Panelaços"? abaixo-assinados pelo país? manifestações em redes sociais?
O fato é que a opinião pública e toda sua indignação - mesmo quando amplificada e ecoada pelas mídias em geral - não parece surtir efeito, ou ser capaz de abalar o sistema de atuação e 'pose' desse pessoal, que continua praticando todos os delitos como se nada fosse (assim, deslavadamente e com muita desenvoltura).
E a velha política de conchavos, dos acordos espúrios, do 'benefício próprio', continua firme e forte.. sempre escorada por 'leis' e 'emendas' que eles mesmos votam, aprovam, legitimam. Parece piada, mas não é. 'Voto secreto'?? O que está fazendo Renan Calheiros na presidência do Senado?? Como ficar impassível a tudo isso?
Pois é, mas parece que há anos continuamos assistindo a tudo isso, cada vez mais anestesiados, impassíveis, inertes: "é.. tá tudo errado, mas fazer o quê?".
O quê? Não sei, mas sei que NÃO podemos aceitar essa situação nos mantendo de certa forma como meros espectadores de um sistema mesquinho, nefasto, corrupto com que se 'representa' o povo e nosso país. E aqueles que disso tiram beneficío permanecem cheios de pose e belas palavras, como se por trás de seus discursos 'éticos' e generosos não se escondessem intenções nada nobres (muitas vezes, das mais baixas e vis possíveis). Esse filme, que já um Clássico indigesto para todos nós, precisava sofrer drásticas alterações em seu roteiro.
Evidente que reconheço, com alegria, avanços notáveis em relação a diversas frentes - tanto social como economicamente.. mas uma coisa não justifica a outra - o fato de o Brasil estar menos miserável não pode se tornar um passaporte para que automaticamente todo e qualquer tipo de bandidagem nos bastidores seja legitimado (seguindo a lógica maquiavelica de que 'os fins justificam os meios): 'Olha, o Brasil está melhor, o que mais vocês querem?" - queremos 'meios' que se justifiquem, para além de seus 'fins' - honestidade e transparência é o que queremos ( por mais ingênuo que isso possa soar).
É por isso que além de votarmos, precisamos cobrar dos nossos eleitos, dentro da Câmara, do Congresso, da Esplanada; a tal 'ética' e eficiência pregadas por eles em suas campanhas; os princípios e a 'correção' de que tanto se 'orgulham' em seus comícios.
O Brasil pode e deveria ser mais.
Certa vez um economista escreveu que "se a corrupção é um 'freio de mão puxado' no desenvolvimento de qualquer país, o Brasil vem literalmente andando com seu freio de mão puxado há tempos, e essa corrupção, lenta e irreparavelmente, acabará por aleijá-lo".
Justamente por gostar tanto daqui, e por ver que tanta coisa boa poderia e deveria estar já visível em nossos Horizontes (além do que já é real), faço esse desabafo.
p.s. achei bastante oportuno o texto abaixo assinado por Roberto da Matta.



EU NÃO ACEITO!
por Roberto da Matta

domingo, 5 de agosto de 2012

Bela homenagem

Ao contrário da opinião do Ministro Aldo Rebelo, que disse Marina ter "boas relações com a aristocracia europeia” e só por isso ter sido chamada para carregar a bandeira Olímpica, fiquei extremamente orgulhoso e emocionado com a homenagem. Ao lado dela foram também homenageados Daniel Baremboim, Ban Ki-moon, Muhammad Ali, Haile Gebreselassie. Creio que a casa real, ao contrário do que pensa o ministro, tem muito bom senso ( e bom gosto!) para amizades.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A wised man

"A wised man once said;
stay hungry, stay foolish,
and maybe that's the answer for
all the majors questions in life..."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gil & Miles

Adoro Gilberto Gil.
Mais do que simples admiração, tenho por esse artista uma ligação emocional muito grande. Meus pais ouviam bastante em casa e desde sempre fui fascinado pela forma arrojada como concebia sua música, além da inconfundível performance ao violão e voz. Gil sempre esteve à frente de sua época.
Durante toda a carreira, esse criador inquieto viveu fases tão distintas quanto prolíficas (e continua), mas especialmente o final dos anos 70 e toda a década de 80, para mim foi e continua sendo dos períodos mais especiais.
A trilogia 'Refazenda', 'Refavela' e 'Realce' é incrível, segundo o próprio Gil sua versão mais amadurecida de um compromisso com as vertentes mais importantes de seu embasamento musical, desde a infância até o Gil 'pós-tropicalismo', 'pós-exílio', 'pós-África'.
Outro dia ouvi e achei curioso o Rubão Sabino, grande baixista que o acompanhava na época, comentar que durante a feitura de 'Refazenda' eles andavam ouvindo e curtindo muito a fase mais psicodélica e fusion do Miles (aliás uma fonte maravilhosa essa, que pode ser conferida mais de perto nos dois temas abaixo: "Essa é pra tocar no rádio" e "Black Satin"). Gil também cita Gonzaga, Stevie Wonder, a África e toda uma gama de artistas expressivos vindos de lá, Hendrix, a própria bossa nova, Caymmi, etc, etc.
O fato é que nunca foi homem de preconceitos musicais, tampouco de pudores em relação as suas influências, sejam quais forem - da 'music' à 'muzak', ele reprocessa e sintetiza maravilhosamente a tudo e a todos - assim é Gil.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Why?

Nesta última viagem com o Quinteto (Novembro '11 ) fiquei impressionado com essa linda imagem que o Brasil vem desfrutando pelo mundo: "o país do futuro"... "a bola da vez" "saúde, educação perto do ideal"... "economia saudabilíssima"... esses comentários não foram inventados por mim, mas vieram de diversos europeus e americanos por esse mundo afora. Sim! Eu acredito muito em nosso país, sem dúvida de um potencial fantástico, lindo.
Mas não podemos ignorar esse constante freio de mão puxado.
Poderíamos estar ainda em melhores, muito melhores, condições.
E finalmente, depois de uma semana de volta à terra brasilis.... me pergunto: Porque temos de conviver com isso? Será que é tão difícil ser, ou pelo menos tentar ser um bom ser humano, um bom exemplo para as futuras gerações, importando-se minimamente com os outros?
Esse país merece mais.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nada como o tempo.


Vejam que curioso:
Se alguém mencionasse hoje, em qualquer roda no Brasil (ou fora!), o nome de Alfredo da Rocha Viana Filho, nosso querido "Pixinguinha", o que lhes viria à mente?
Provavelmente a figura daquele que foi um dos maiores compositores da história da música popular brasileira, um dos pais do choro moderno, enfim, um dos 'grandes', certo?
Bem, ao folhear o livro Guia Politicamente incorreto da História do Brasil (Leandro Narloch), achei a seguinte passagem:

"No decorrer da década de 1920, Pixinguinha, Donga e Sinhô levaram pedradas da crítica porque suas composições pareciam pouco brasileiras. Em 1928, o crítico Cruz Cordeiro, da Revista Phono-Arte, condenou a influência estrangeira em duas composições de Pixinguinha e Donga:

Não podemos deixar de notar que em suas músicas não se encontra um caráter perfeitamente típico. A influência das melodias e mesmo do ritmo das músicas norte-americanas é, nesses dois choros, bem evidente. Este fato nos causou sérias surpresas porquanto sabemos que os compositores são dois dos melhores da música típica nacional.

Dois anos depois, o mesmo Cruz Cordeiro, prestes a virar diretor artístico da RCA Victor, a principal gravadora do país na época, não recomendou a seus leitores o disco de Pixinguinha que continha nada mais nada menos que Carinhoso. Seus Argumentos:

Parece que o nosso popular compositor anda muito influenciado pelo ritmo e pela melodia da música de jazz. É o que temos notado desde algum tempo, mais de uma vez. Nesse seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot, apresenta em seu decorrer combinações da música popular Yankee. Não nos agradou. "

Nada como o tempo...

Na foto: Jobim, Pixinguinha, Donga e Chico Buarque

p.s. Se não viram o novo filme de Woody Allen "Meia Noite em Paris", vejam!



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Lennie Dale e os Dzi Croquettes

Vendo o documentário sobre a sensacional trupe dos Dzi Croquettes, o grupo que na década de 70 (em plena ditadura), revoluciou ao montar um espetáculo de cabaré completamente avant-garde (dançando, cantando e atuando travestidos de mulheres), achei bonito a deferência com que até hoje são tratados por seus contemporâneos (algo mais do que merecido). De Pedro Cardoso, Betty Faria, Jorge Fernando a Falabella e Cláudia Raia; de Ney Matogrosso, Gilberto Gil e Cesar Camargo mariano a Liza Minelli, todos tiram o chapéu para os Croquettes e o genial coreógrafo e bailarino Lennie Dale.
Os depoimentos do filme compartilham de uma idéia que acredito ser a pura realidade - de que quando alguém desenvolve Arte no grau de entrega e verdade em que aquele grupo desenvolvia - não existe a menor possibilidade de se tentar reproduzí-la, justamente por ser tão genuína, própria do(s) seu(s) criador(es) - tão intransferível quanto um RG, ou uma impressão digital.
Outra coisa: se por um lado o artista virtuose quase sempre é um obcecado pela busca da excelência artística, é também fundamental que tenha um ingrediente de loucura e irresponsabilidade no ato da criação, seja ela qual for.
Embora não fosse nascido quando os Dzi Croquettes apareceram, entendo e respeito profundamente o impacto que causaram com sua postura, conceito artístico e coragem!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

The Guitar Heroes & Benedetto

A história precedente à imigração dos luthiers italianos que se estabeleceram nos EUA na virada do século XX é muito interessante.
É sabido que a Italia teve um papel fundamental na história da fabricação de instrumentos de cordas, principalmente à partir do sec. XVI. A Luthieria era um ofício "de familia", passado de pai para filho através das gerações (havia famílias incríveis no ramo de luthieria em Milão, Veneza, Bologna, Florença, e Cremona, terra do inventor do violino, Andrea Amati, e também de Antonio Stradivari, talvez o mais famoso luthier da história).
No final do século XVIII, Nápoles era não só uma das maiores cidades da Península Italiana, mas de toda a Europa, e havia por lá uma cena musical extremamente prolífica. A Escola de Ópera Napolitana de Alessandro Scarlatti, a Ópera "Buffa", assim como alguns dos mestres pioneiros da guitarra clássica, Ferdinando Carulli e Mauro Giuliani, tiveram todos em Nápoles seu cenário inspirador.
A primeira 'guitarra' de seis cordas fôra criada pelo napolitano Gaetano Vinaccia, em 1779 (conhecida como "guitarra romântica"), e nesse interim, algumas famílias napolitanas, como os próprios Vinaccia e os Fabricatore, passaram a introduzir técnicas modernas e inovadoras à fabricação de bandolins e guitarras. Com o tempo, Nápoles tornou-se o mais importante centro na produção de instrumentos de cordas da Itália, posição em que permaneceu durante todo o sec. XIX.
Na virada do século XX, por conta de uma crise econômica aguda e da turbulenta situação político-econômica decorrentes do processo de unificação, milhões de italianos imigraram para os Estados Unidos. O fato é que muitos desses imigrantes eram justamente do Sul, e se estabeleceram nos EUA sobretudo na região de Nova Iorque, criando enormes comunidades chamadas de "Little Italy". Estes bairros tornaram-se um tanto quanto familiares, principalmente através dos filmes de Martin Scorsese e Francis Ford Copolla, mas aqui quero falar de outra coisa - os guitarmakers e suas criações extraordinárias.
Em 1880, um grupo espanhol chamado "Estudiantes Espanoles" excursionou os EUA tocando suas bandúrrias, tornando -se uma verdadeira sensação! Rapidamente, os músicos italianos imigrantes trataram de capitalizar aquele sucesso estrondoso dos "Estudiantes" e logo começaram a formar grupos locais, imitando a trupe espanhola que tocava música de raíz, apenas substituindo as bandúrrias por bandolins.
Entre 1880 e 1920, houve uma verdadeira febre por estes instrumentos nos Estados Unidos, onde milhares eram importados da Itália.
Muitos luthiers italianos, que buscavam melhores condições e oportunidades, acabaram seguindo o fluxo imigratório e mudaram-se da península para os EUA, passando a manufaturar bandolins in loco, trazendo consigo técnicas e sabedoria até então desconhecidas no novo continente - técnicas estas que posteriormente seriam empregadas também na construção das famosas guitarras archtops.

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Há pouco tempo atrás tive a alegria e honra de participar ao lado de Anthony Wilson, Julian Lage e Steve Cardenas de um concerto, como parte de uma enorme homenagem a alguns dos mais fantásticos construtores ítalo-Americanos de guitarras archtops da atualidade. O evento chama-se "The Guitar Heroes", e alguns dos homenageados - os ítalo-americanos John Monteleone, James D'Aquisto, John D'Angelico - todos luthiers extraordinários, tiveram seus instrumentos expostos no evento. No concerto usamos quatro guitarras especialmente construídas por Monteleone para a ocasião, executando uma peça também escrita especialmente por Anthony Wilson: "The Four Seasons", e posso dizer o seguinte - as guitarras eram realmente fantásticas, foi um prazer muito grande experimentar cada um dos quatro modelos, muito próprios, personalíssimos.

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Ao longo desta mesma viagem, cheia de boas surpresas, tive a oportunidade e honra de conhecer outra lenda na história dos Luthiers Ítalo-Americanos, um dos maiores da atualidade.
Lá em Savannah, onde fica sua oficina, pude experimentar mais de 40 instrumentos feitos por este mestre, e fiquei absolutamente extasiado com a sonoridade, o acabamento e qualidade das guitarras, verdadeiras obras-primas.
Estou falando de Robert Benedetto, e da Benedetto Guitars.
Durante horas pude usufruir de diversos modelos, na casa do presidente H. Paul - onde me pediram para experimentar diversos exemplares clássicos da marca - uma noite memorável! Conferi de perto os modelos de John Pizzarelli, Pat Martino, Andreas Oberg, Bucky Pizzarelli, Andy Summers, Kenny Burrel, e outros modelos simplesmente extraordinários!

Já de volta a São Paulo, recebo a mensagem do presidente da Compania, dizendo que seria um enorme prazer construir um instrumento especial pra mim - e que gostariam que me tornasse um "Benedetto Performing Artist".
Precisamente das mãos do próprio Benedetto, já está nascendo esta nova e certamente incrível parceira musical, uma Benedetto Flagship Series.

domingo, 22 de maio de 2011

Nice evening in SP

Last week I had the chance to enjoy two great concerts, at the same night, at two very nice venues... First, I was at the extraordinary Emerson String Quartet concert at the Sala São Paulo.
After that, late at night, I went to the Zezinho Pitoco's Forró. Life coudn't be better. :)

sábado, 30 de abril de 2011

Emerson String Quartet, or Octet??

Sou da opinião de que nenhuma técnica de gravação ou tecnologia, por mais avançadas que sejam, possam substituir ou emular uma execução humana, sobretudo uma execução impecável como a desse quarteto. Mas certamente as duas primeiras, quando aliadas à segunda, podem produzir coisas maravilhosas - como nesse vídeo que conheci através do Sergio Martins, e que realmente me surpreendeu.
Funciona assim; o extraordinário Emerson String Quartet, dos USA, toca uma peça supostamente para Octeto, inteira ( no caso, o Octeto em Mi Maior op. 20, de Mendelssohn), gravando a primeira passada. Depois disso, eles gravam em cima de si mesmos uma segunda passada ( até aí... trata-se de um procedimento normal e amplamente utilizado para se "engordar" sessões de cordas). Mas aí vem a grande diferença: cada um dos instrumentistas, em sua segunda passada, utiliza um segundo instrumento, o que obrigatoriamente faz com que sua própria sonoridade se modifique totalmente, assim como a do quarteto em geral. E por outro lado emula-se uma coesão e precisão inacreditáveis.
Some-se isso uma captação de som de última geração, e o resultado é esse que vocês podem conferir abaixo: fantástico!



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ed Tomassi


Recentemente revisitei uma velha amiga, de invernos frios e musicais... após muitos anos de ausência e saudades - Boston, MA.
Foi por ocasião do concerto que fizemos no Jazz Club 'Regattabar', em Cambridge, no último dia 12 de Abril. Que prazer.
Claro, não poderia deixar de visitar a Berklee (150 Building, 1140 na Boylston, Uchida Building), outra companheira musical por quem tenho enorme carinho.
O mais engraçado é que parecia tudo igual - confesso que muitas emoções se fizeram presentes no momento em que abri a porta principal do 150 Building... uau.
Assim que entrei, scanneei o lobby e as escadas para as practices rooms e Library ( Media Center)... e a primeira coisa que me veio à cabeça foram as aulas memoráveis do professor Ed Tomassi - Harmonic Considerations in Jazz Improv.
Se há alguém por quem tenho profunda admiração e gratidão, esse alguém é o Eddie. A paixão que esse cidadão tem por música é algo tão surreal e contagiante que vai muito além do que as palavras podem descrever - só mesmo quem o viu em ação entende a dimensão e o impacto daquelas aulas incríveis... aqui alguns de seus aforismos mais célebres, "You DIG?"

- "You gotta buy every album Trane evah played on... even some he didn't!"

-"You wanna play good, practice slow... you wanna play better, practice slower"

- ‎"you gotta play everything in every key! even your name!!"

- ‎"You gotta swing me out of this room, then you gotta swing me out of Berklee, then you gotta swing me out of Boston, and if you manage to swing me out of New York that means you know how to swing!"

- ‎"slow to fast cats, slow to fast!?"

- "280? that's a ballad!!"
- ‎"What you gotta do, is not listen to the things you are playing, but the things you ARNT playin!"
- "YOU DIG??!?"

sexta-feira, 4 de março de 2011

Remakes


Assim como quando vejo alguns políticos prometendo maravilhas na televisão, tenho certa desconfiança pelos remakes de filmes e afins, por princípio (sei que a comparaçao pode parecer um pouco esdrúxula, mas é verdade, pois há em mim um sentimento de "é difícil acreditar, até que se prove o contrário").
Por mais que tenhamos uma esperança, e até o desejo de que a refilmagem seja maravilhosa - ainda melhor que a original - a realidade quase sempre acaba nos provando que não...
Fora algumas esparsas exceções, a grande maioria das refilmagens não se sustenta quando comparada às versões originais correspondentes. Além de no mínimo serem marcantes (até por ser mais improvável um remake de um filme inespressivo), há ainda o apego emocional, a memória afetiva.
Filmes como Lolita ( Kubrick, 62'/ Adrian Lyne, 97') , Asas do desejo (Win Wenders, 87'/ "Cidade dos Anjos", que não é remake mas baseado no primeiro), Psicose (Hitchcock, 60'/ Gus Van Sant, 97'. Este dirigiu entre outros Good Will Hunting, um lindo filme), para mim, estariam nessa lista.

Veja o caso do recente "Fúria de Titãs". O original, de 1981, em termos de efeitos especiais evidentemente não apresentava os recursos que a nova versão traz, (afinal são quase trinta anos separando as duas versões). Mas a poesia vinha justamente da limitação, até de uma certa ingenuidade, pureza, o que acabava valorizando as interpretações dos atores, e que atores! Laurence Olivier fazendo o papel de Zeus, Ursula Andrews (Afrodite), Maggie Smith ( a professora de Harry Porter aqui vestindo a Deusa Tétis)...
Já imaginaram o quixotesco "L'armata Brancaleone" em versão remake: em 3D, com armaduras fashion e cavalos voadores?
Bom, para contrabalancear, um remake bem interessante tanto pela visão inusitada e extremamente pessoal do diretor, como toda concepção e 'vibe' obscura ( totalmente diferente da primeira versão, de 1951), é Alice in Wonderland, de Tim Burton (embora ainda tenha certa predileção pelo original, da Disney - da época em que desenho animado se fazia "na mão" e à lapis!)
Ah, e estão dizendo que o novo filme dos irmãos Cohen, "True Grit", com Jeff bridges no papel que foi de John Wayne na versão original (1969), é muito bom. Enfim, é ver para crer....

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Poema Sinfônico

É curioso como há diversos casos em que um parte significativa da obra de um artista ou compositor famoso permanece menos conhecida ou até esquecida, em detrimento de outras tantas, às vezes muito mais populares mas nem por isso tão interessantes.
Quando fala-se em Arnold Schoenberg, talvez as primeiras palavras que nos venham à mente sejam: "dodecafonismo" e "atonal".
É verdade, ele foi um pioneiro do atonalismo e também o codificador da composição dodecafônica, enfim, um grande revolucionário. Mas há outras facetas desse compositor que, embora não tenham propriamente um cunho vanguardista ou contestador, são simplesmente sensacionais. A sua fase pós-romântica, por exemplo, é de uma beleza estonteante.
O poema sinfônico para Orquestra Pelleas und Melisande - Opus 5, baseado na peça do Belga Maurice Maeterlinck, é simplesmente extraordinário.
Mesmo ouvidos leigos não passarão incólumes quando expostos à essa jóia rara (dividida aqui em quatro partes). Ele realmente sabia o que estava fazendo, e que harmonizador fantástico!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Luizão Maia.


Há pouco estava em um restaurante com amigos quando uma canção que adoro, de um de meus discos prediletos, começou a tocar ao fundo: "Bye Bye Brasil", de Chico Buarque.
Até aí tudo bem, e você vai se perguntar: "mas porque postar sobre um fato tão corriqueiro - uma música familiar sendo tocada de fundo em um lugar público, assim por casualidade?"
É que um detalhe em especial nessa audição me emocionou - e logo durante a introdução. Ainda não tinha dado tempo de puxar pela memória a ficha técnica dos músicos, que ao longo da execução da canção fui lembrando... mas um instrumentista se fez reconhecer imediata e inequivocamente! Quando o baixo atacou a primeira nota, depois a segunda e a terceira, já parei para apurar os ouvidos. Lá pelo quarto compasso, quando apareceu o primeiro 'fill', aquela 'puxada' sensacional para o "oi coração", pensei comigo: Luizão Maia! Inconfundível...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Internet & Copyrights - enfim a democracia?


Outro dia comentava com um grande amigo músico como está difícil ouvir música nas rádios e tvs abertas. Estou aqui me referindo à música "não comercial" - ou àquela programação que 'em teoria' (mas só em teoria), não se encaixa nos 'padrões' de mercado (justamente a que ouço no meu ipod, invariavelmente).
Mas aí é que está, não falo dos artistas menos 'famosos' (embora não menos geniais) como J.T Meireles e os Copa 5, Donga, Bola 7, ou João da Bahiana, mas de nossos 'medalhões' - Chico Buarque, Tom Jobim, Edu Lobo, Moacir Santos - que há tempos são simplesmente ignorados pela grande maioria das estações ou, nas poucas que ainda são 'tocados', não o são suficientemente.
A coisa é mesmo grave... ou melhor... seria - parece que finalmente a luz acaba de surgir forte no fim do túnel.
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Há alguns dias, ao receber em casa o demonstrativo trimestral de recolhimento de direitos autorais e conexos, deparei-me com um tópico novo, já com direitos a serem recebidos, que indicava: "execução em internet".
Aquilo me deixou 'encafifado', pois nunca antes havia recebido sobre execução em internet no Brasil (inclusive cheguei a pensar que pudesse ser algum engano do ECAD!).
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Pois bem, abro o Estado de São Paulo de hoje e, ao ler a notícia abaixo, quase abro um vinho para brindar, logo de manhã - não era equívoco nenhum.
Ainda que timidamente, foi dado início ao repasse dos famigerados 'direitos sobre execução em internet', algo recentíssimo, até há pouco inédito no país.
Por isso mesmo, é claro que ainda existe um longo caminho de adaptações e ajustes pela frente, especialmente em um país como o nosso onde a legislação de direitos autorais e os órgãos que a aplicam em geral são nebulosos e obsoletos... e de fato não caminham de mãos dadas com compositores, intérpretes, artistas, enfim.
Mas a notícia, em si, é fantástica e animadora!
E o mais importante de tudo, e o que realmente me deixou contente, foi testemunhar o gosto dos internautas ali impresso, absolutamente alheio à programação padrão de rádios e tvs - muito mais plural, brasileiro, democrático! Afinal, na internet cada um ouve o que quer, quando quer, e da forma que quer.
Vejam que maravilha (atentem-se à lista dos autores, intérpretes e músicas mais tocadas!):

O Estado de São Paulo - "Pela Primeira vez, Música na rede recebe direitos"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Texto release 'Até amanhã'

Este texto foi uma encomenda para o release do novo álbum do meu querido colega, Ricardo Silveira.
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Ao acompanhar mais de perto o trabalho e a fantástica trajetória de Ricardo, claramente nota-se que, além do extraordinário instrumentista, trata-se de um grande compositor e arranjador, lírico e original, qualidades essas impressas em seus diversos discos solos - Skylight, Bom de tocar, Amazon Secrets, Smallworld, Storyteller, Noite Clara, Outro Rio.

Ele tem uma maneira absolutamente peculiar de tratar o ‘tocar’ e o ‘compor’,como dois universos independentes, mas que se encontram e se harmonizam perfeitamente. Isso é raríssimo, especialmente em um instrumentista desse porte.

Sendo um craque absoluto, um virtuose em seu instrumento, Silveira improvisa com total fluência, sempre de forma muito expressiva e eloquente, e domina de forma inpressionante tanto a linguagem brasileira do rítmo e da poesia como a americana dos encadeamentos harmônicos.

Por outro lado, como compositor, seus alicerces vêm da grande canção brasileira. Mesmo quando envernizadas pelo Choro, Jazz, funk, folk ou rock, as composições de Ricardo revelam-nos um cancionista apaixonado.

Após escutar ‘Até Amanhã’, os primeiros sentimentos que me vieram foram os de surpresa e gratidão.

Surpresa pela absoluta reinvenção de cada um dos temas já conhecidos, e aqui regravados.

As faixas foram revestidas em arranjos e performances que as

tornaram atemporais; seja pela concepção de base, toda gravada

‘ao vivo’ por um ‘power-trio’, com o qual Silveira vem excursionando ultimamente e construindo uma cumplicidade e afinidade incríveis;

Seja pelos arranjos sofisticados e inventivos de Vittor Santos, Marcelo Martins, Jessé Sadoc e dele mesmo, ou pela sonoridade belíssima do CD,bem acústica e fiel, sem muitos efeitos.

Gratidão, pois trata-se de um disco de celebrações – aos amigos, às parcerias, ao violão e a guitarra, à brasilidade, à própria música e

à vida, e Ricardo gentilmente nos convida a todos a participar desse

evento na mais privilegiada das condições – a de degustadores da

música resultante desse encontro especial.

Talvez por isso mesmo ‘Até amanhã’ seja tão profundamente

generoso com os instrumentistas e arranjadores participantes. Traz

fundamentalmente o melhor de cada um, pois coloca-os sempre à

vontade dentro de suas especialidades (e aqui, o mérito é do Ricardo produtor).

Se Ricardo Silveira já consagrou-se como uma indiscutível e imensa referência em seu instrumento pelo mundo afora , neste projeto nos

mostra que o grande artista nunca se acomoda em seus próprios

louros - ao contrário, reinventa-se, ousa, arrisca, inquieta-se.

E é justamente exercendo esta qualidade inerente aos grandes, que

Ricardo acerta mais uma vez, em cheio - com este golaço de placa.

Vida longa a este grande artista e a este novo projeto, ‘Até amanhã’!


Chico Pinheiro

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Is this virtual?

Even though being the kind of musician that still believing almost any real instrument ( acoustic) can be fully emulated virtually (well, I personally don't think they can), what Lyle and Alex did in this vídeo with these new virtual gears it's really amazing ( remember that Pat Metheny's video I've posted couple months ago?).



sábado, 31 de julho de 2010

'Uma Noite em 67'


Não assisti ainda ao documentário sobre o Festival da Record de 1967, de Ricardo Calil e Renato Terra, que estreou ontem nos cinemas aqui em São Paulo.
Um grande amigo cineasta foi à pré-estréia no Rio e me ligou entusiasmado; estava emocionado com os depoimentos dos protagonistas Chico, Caetano, Edu, Gil.... afinal, que fotografia incrível aquela - um momento especialíssimo na música popular brasileira, independente de regime político, religião, economia ou futebol vigentes... falo da música.
No entanto, acho curioso que em todas as reportagens e comentários nos jornais fala-se muito da emoção intensa, da rivalidade acirrada que se instaurou entre as torcidas (levada quase às últimas consequências), do clima à la "gladiadores", de toda aquela guerra, enfim, do 'entorno' que abarcava a disputa musical em si. Um bom exemplo disso é a famosíssima cena de Sérgio Ricardo, quebrando o violão e bradando "vocês ganharam, vocês ganharam!!". depois de atacar os primeiros acordes e tentar em vão entoar "Beto bom de Bola", tamanha a vaia ensurdecedora com que o público lhe saudaria naquela noite.
Falam do cunho político que havia no ar envolvendo todo o evento, das roupas extravagantes e desafiadoras de Caetano e Gil, Rita Lee e os Mutantes, do bom-mocismo de Chico, da sofisticação de Edu e Marília Medalha.
Todos sabemos da barra pesada que aquele pessoal enfrentava na época, inclusive naquele ano específico ( meus pais mesmo contam histórias inacreditáveis) e que, infelizmente, precedia algo ainda pior, o Ato Institucional Nº5, o AI-5 ( 1968).

Porém, sob a ótica musical, artística, faltou falar de um protagonista fundamental, que nenhum dos jornais mencionou devidamente, nenhum.

"A última noite do Festival de Música Popular Brasileira de 1967 foi um desses raros momentos que condensam e catalisam as forças vivas de toda uma cultura (...) um caldeirão de elementos díspares numa rara e irrepetível sinergia: o berimbau e a guitarra elétrica" Folha de São Paulo.

É verdade. Mas faltou mencionar que o grande responsável pelas guitarras elétricas em "Alegria Alegria" e "Domingo no Parque", assim como pelos elementos claramente eruditos contidos nos arranjos destas canções foi Rogério Duprat.
Ele foi o amálgama, aquele que deu a "roupagem" daquelas canções, e posteriormente à própria Tropicália ( essa afirmação não é minha; Caetano e Gil já o disseram várias vezes).
Seus arranjos, absolutamente imprevisíveis e criativos, juntavam Stravinski com guitarra, berimbau com Stockhausen, mas nunca aleatoriamente, tudo fazia sentido. Rogério foi, sim, um dos personagens principais daquele festival e do que viria depois, como desdobramento desse.

"Colocar guitarra elétrica na MPB era de direita. Os artistas de raiz, contrários à guitarra elétrica, eram de esquerda. Houve um radicalismo, um clima de Fla-Flu Musical", Estado de São Paulo.

Quando Jimmi Hendrix usou sua Fender Stratocaster em pleno Woodstok ( 1969) para genialmente protestar contra a guerra do Vietnam, tocando o Hino Nacional Americano todo entrecortado por sons de bombas simuladas no instrumento, a guitarra naquele momento não representou nem um pouco o status de simbolo do "Imperialismo", mas sim seu mais ferrenho opositor.

Na minha opinião, à sua maneira e guardadas as devidas proporções, Duprat faria o mesmo ao reunir patrícios e argentinos (Beat Boys) para tocar música brasileira, usando guitarras elétricas e orquestra sinfônica em plena repressão, numa época em que 'internet' era, quanto muito, um fetiche de filme de ficcão científica (portanto não podendo escancarar "globalização" nenhuma). Isso não era para qualquer um.
Entendo perfeitamente que à primeira vista, aos olhos e ouvidos daquele público, qualquer coisa made in USA não fosse bem aceita (pudera!), mas Rogério mirava muito além de uma rasa apologia ao imperialismo Ianque. Muito pelo contrário. Era um ato bastante corajoso, contestador, mas sobretudo bem humorado em meio àquele clima de guerra. O maestro, afinal, era um tremendo gozador! Apenas com arranjos e postura artística mostrava o quão era possível esparramar-se por universos tão díspares, dialogando de forma original e provocativa, sem no entanto deixar de ser brasileiro ou coerente. A arte então transgredia e se sobrepunha a tudo, inclusive nacionalidades.

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Esse teor agregador e ao mesmo tempo desafiador do Duprat me lembrou um outro fato, atual e fantástico (embora esse não tenha nenhuma relação com o festival de 1967)- Daniel Barenboim e Edward Said, um judeu e um palestino, um maestro e outro intelectual, dois expoentes de peso em suas respectivas áreas, juntaram-se para criar a West-Eastern Divan Orchestra que, através da música, coloca judeus e árabes tocando sob a mesma pauta, lado a lado. Impensável?
E alguém ainda duvida de que a música tem, além de tudo, o poder intrínsico de elemento transformador, revolucionário e evolutivo, mas sorrateiramente encrustado apenas em melodias, acordes, arranjos e versos?
Ou como diria Guimarães Rosa: "o Diabo, é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro - dá gosto!"
Vivam os arranjos, melodias, acordes e versos de Rogério Duprat, Jimmi hendrix, Baremboim e Said.

domingo, 27 de junho de 2010

Zenon

Quase dividimos um apartamento em Manhatan quando terminei a Berklee.
Acabei voltando para o Brasil em 1999, mas meu amigo Miguel Zenon foi mesmo para Nova Iorque, onde continua até hoje, tocando e encantando por onde passa com seu saxofone, seja na SF Jazz Collective, com Antonio Sanchez, ou com seu próprio grupo.
Uma vez, fazíamos aula de de 'ear training' (os outros "freshmans", isto é, alunos de 1º semestre da classe eram Anat Cohen, Avishai Cohen e Alon Farber - éramos em 5) e havia um teste - solfejar um solo das décadas de 50, 60 ou 70, à escolha... nota por nota, dois chorus completos.
Lembro-me bem de ter escolhido um do Claudio Roditi que me pareceu solfejável, melódico e sobre uma harmonia que conhecia bem. Anat, se não me engano, escolheu um Wayne Shorter de VSOP. Já Zenon chegou com a trascrição de um Coltrane debaixo do braço, era "Ascent" ou coisa assim- algo praticamente impossível, sobretudo pela enorme dificuldade em se pronunciar aquelas notas todas, tamanha a velocidade. Todos nós nos entreolhamos quando ele 'sacou' a partitura e anunciou o tema e a versão escolhida.
Bom, para encurtar a história, logo no final do primeiro Chorus, estávamos todos caindo das cadeiras, de tão bizarra a cena, inclusive o professor. Ele REALMENTE estava solfejando, com nomes e tudo, e o grau de dificuldade para se pronunciar as sílabas naquela rapidez "lá - dó - mi - sooool - dó - dóoo", era algo surreal - nunca me esqueço desse episódio.
Recentemente ouvindo o último cd dele, aliás fantástico (Esta Plena), me emocionei. Zenon é craque!!