quinta-feira, 11 de junho de 2009

Diversão e arte... diversão é arte!

Como já dizia Mick Goodrick: " não é porque é sério que não pode ser divertido... e não é porque é divertido que não pode ser sério"... aí está!





quarta-feira, 10 de junho de 2009

São Paulo 24 hs


Paris Jazz Big Band - Paris 24 hs
John Taylor, Steve Swallow & Gabriele Mirabassi - New Old Age
The terminal Soundtrack - John Williams
Toninho Horta - Moonstone
Larry Goldings - Whatever it takes
Konstantin Scherbakov - Shostakovich: Piano Sonata No. 1 - 24 Preludes, Op. 34
Nelson freire - Nelson Freire Interpreta Villa Lobos
Simon and Garfunkel - The Concert in Central Park
Here's some of the stuff I've been checking out lately.
The Paris Big Band has such an incredible and tight horn section plus some beautiful arrangments/ compositions... is absolutely worth to listen to this guys!
I met Gabrielle Mirabassi two years ago, at this Jazz project we played in São Paulo... we became friends at that time and he gave me an album... such a lirical album. The trio sounds great with no drums.
John Williams is like one of those "you-must-listen-to" composers of our days... an amazing musical mind. This particular score "The Terminal" brings a Jazz flavor within ( it has to do with the history) that I enjoyed so much.
Back in 98', while living in Boston, I was checking out some cds at this store, and suddenly they start playing an album with a guitar player that knocked me out! I asked to the guy "who's playing??" It was Peter Bernstein, and the album was Whatever it takes, by Larry Goldings.
Shostakovich is one of the greats from Russia ( St. Petersburg)...I love this album. Another combination that can't go wrong: Nelson Freire and Villa Lobos.
Moonstone is one of my favorite albuns by Horta. The title track's version, with two guitars, him and Metheny, it's a classic. Paul Simon is a terrific songwriter... this album has all those classics and more, a Landmark. There's also a DVD with that Central Park Concert, wonderful... enjoy!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Boas Novas

Aqui nesse mesmo espaço já comentei 'en passant' que, não sei porque, teimo em nutrir uma certa ingenuidade em relação ao ser humano, quase pueril, quase tola, talvez por influência de Darcy Ribeiro. Eu concordo com o professor quando em sua obra "O povo brasileiro" se refere à confluência racial ocorrida no Brasil como "uma mistura que deu certo", entre índios, negros e europeus: um país sincrético, novo, que embora seja feito de matrizes díspares, se comporta como um só.
Mas depois de tanta água por baixo da ponte e ainda assim vivermos em um cenário atual cada vez mais caótico, agressivo, corrupto, intolerante, alguém eventualmente dirá que a minha crendice na humanidade vai minguar, depois de tomar insistentes "bordoadas" aqui e acolá, para finalmente sucumbir à inclemente realidade dos fatos: as coisas não vão bem.
Há muito o que se melhorar para que enfim façamos jus à alcunha de "espécime fantástica, única dotada de polegar opositor, razão, emoção, de amar, capaz de fazer coisas das mais extraordinárias", de que tanto nos orgulhamos.
Seria utopia, desvarios de alguém que sonha acordado?? Não sei. Mas uma coisa é certa: precisamos é inventar o Brasil e o mundo que queremos viver, cada um de nós, e o mais rápido possível!
Darcy Ribeiro sorriria ao saber de iniciativas como esta que, no mínimo, achei interessante (até onde eu sei também inédita por aqui): um site dedicado às Boas Novas, idealizado por Ruy Drever ("Paulistano" nascido no Uruguai) que reporta apenas o que acontece de construtivo, positivo por aí ( seja nas artes, nas instituições, pelo mundo, enfim).
Evidente que coisas assim não podem nem devem nos anestesiar, nem se prestarem a embriagar... de forma alguma! Pelo contrário: a coisa precisa desesperadamente entrar nos trilhos, mas é imperativo não esquecermos que cada um de nós é parte fundamental nesse processo.
Quando vi o filme Milk, brilhantemente interpretado por Sean Penn, saí revigorado, com a nítida sensação: one can make the differece!! (isso para não citar os heróis históricos conhecidos de todos nós).
É sempre bom lembrarmos que, se há alguma luz no fim do túnel, que a gente faça por trazê-la para mais perto... é possível.

domingo, 24 de maio de 2009

Again.... and again.

There's something about the following scenario: a beautiful voice surrounded by a good orchestra performing a gorgeous song, that simply makes me want to listen to it over and over and over... it can be either an Opera, a Broadway Song or a charming Bossa (it doesn't matter), that's the same feeling I have every time I watch certain movies (in that case, not just any movie, but some specific ones...I can think of a couple right now: Modern Times, Billy Elliot, Blade Runner, E.T., Lolita, Hable con Ella, Butch & Cassidy, The curious Case of Benjamin Button, Amarcord, Cinema Paradiso, The Lives Of Others... and so on). It just feels like seeing it again... and again...


State/ João Gilberto/ arranging: Claus Ogerman


Tristan und Isolde - Liebestod (Wagner)/ Waltraud Meier/ conducted by Baremboin


Cry me a River/ Diana Krall/ arranging: Claus Ogerman


The Way you Look Tonight ( Kern)/ James Taylor/Conductor: John Williams

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O pó da estrada.

Não é toda hora que temos a oportunidade de declarar a admiração pela arte de alguém assim, pessoalmente.
Nunca tive essa chance com Jobim, que não conheci pessoalmente, ou mesmo Gershwin, Cole Porter, Hendrix, Van Gogh, Charles Chaplin... evidentemente nunca mais realizarei tais sonhos.
Já com Zé Rodrix , Graças a Deus, foi diferente.
Frente a frente com meu ídolo de infância, por ocasião da festa de encerramento do saudoso Bar Supremo Musical ( ali no Backstage, as emoções já afloradas), consegui dizer à queima-roupa, a voz já um tanto embargada, o quanto sua música fazia parte de minhas primeiras histórias, minha infância.
Disse a ele que aprendi com minha mãe "Mestre Jonas", "Blues Riviera", "Pó da estrada"... que tinha um carinho imenso por tudo que tinha escrito, que cheguei a tocar num velho violão Del Vecchio a "Primeira canção da estrada" (até as 4ªs em pirâmide do final, ele riu), que ele era uma figura rara e um compositor fantástico. Dito tudo isso, voltei pra casa cantarolando "Casa no Campo", realizado. Gostaria de dizer tudo novamente, tantas vezes quanto pudesse!
Assim que soube de sua partida, instantaneamente coloquei o "Mestre Jonas" no máximo. Os olhos marejaram.
Resolvi então escrever, apenas para contar mais uma vez do meu incrível apreço por ele e agradecer por sua música; Obrigado Zé!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

'Sala de Ensaio' em SP dias 28/05 e 04/06.



Sala de ensaio, ou "sala de estar com música ao vivo", como queiram.
Escolhi com carinho um espaço para realizarmos uma prévia das turnês, e também testar canções inéditas do próximo disco. A sala Crisantempo , que fica bem no coração da Vila Madalena, oferecia as condições ideais: um Teatro encantador, com Foier/Bar agradabilíssimos, astral bacana, aconchegante e ao mesmo tempo bem equipado, oferecendo ótima vibe para que a música seja plena e o ambiente casual. Os shows acontecem às quintas-feiras: a última de Maio e primeira de Junho. Todos são muito bem vindos à nossa "Sala de Ensaio", em SAMPA.
C.
p.s. Antes que me esqueça: A D'addario, minha parceira e Sponsor já há algum tempo, está sorteando dois pares de ingressos e um kit d'addario. Aí vai! Ingressos D'addario.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Engenho e Arte

" As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte."
Luíz Vaz de Camões

Dentre Santistas, Palmeirenses, São paulinos, Corinthianos, Flamenguistas, Cruzeirenses, Atleticanos ou gremistas (não importa!), todos hão de concordar com a afirmação: Ronaldo tem o engenho e a arte, isso é inegável. Poucos são os jogadores capazes de criar momentos de tal magnitude e beleza, mas quando o fazem elevam o velho esporte bretão à condição de arte, arte sublime. É bonito de se ver. 

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dica da semana: Lu no Bourbon, dia 05.


Não é de hoje que conheço o trabalho de Lu Alves.
Desde 2000 ela vem cantando e viajando comigo pelo mundo afora. Diga-se de passagem, de forma notável, fantástica, fundamental; pois seja lá onde Lu coloque sua voz, uma canção ganhará dimensões e contornos aparentemente inatingíveis - Lu hoje é uma das maiores cantoras em atividade no país (sem nenhuma concessão), simples assim. Portanto a dica da semana é seu show de estréia com banda estelar no Bourbon street em São Paulo. O repertório traz Paulinho da Viola, Chico César, Chico Buarque, Wisnik, Gil, Céu, e por aí vai. Os grandes Fabio Torres, Paulinho Paulelli, Edu Ribeiro e Swami Jr se encarregam de acolchoar a linda voz da cantora. Terça feira lá no Bourbon.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Why do we never get tired of it?


Could music be defined as some kind of drug, a fuel, an incredible moving force surrounding us all?
Absolutely! Thank's God for putting the ipod into our lives... oh yes!


Dori Caymmi - Contemporâneos
Helio Alves e Duduka Da Fonseca - Songs From The Last Century
Fleurine - San Francisco
Tom Jobim & Elis Regina - Elis & Tom
Edu Lobo - Camaleão
Gilberto Gil - Refavela
Chico Buarque - Meus Caros Amigos
Rosa Passos - Morada do Samba
Sérgio Santos - Mulato
Yamandú Costa - Lida

Artigo no 'O Globo'.


Não sou (e nunca fui!) de me remoer sobre as mazelas políticas de nosso país. Acho que o Brasil e os brasileiros são muito maiores do que tudo isso, todo esse escárnio político a que somos submetidos não há dez, vinte, cinquenta, mas há muitos anos... há séculos (e não sou o primeiro a dizê-lo). É vero, sempre tive esse otimismo intrínseco como o do professor Darcy Ribeiro... quase incurável, quase pueril. Contudo, infelizmente, não consigo ficar impassível como cidadão e contribuinte, aos descalabros que acontecem nos bastidores e que mais e mais vêm sendo reportados. Essa semana, só para ilustrar, mais dois episódios me saltaram aos olhos; a discussão no STF entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, e a chamada "farra das passagens" no congresso; o judiciário e o legislativo nos revelando mais uma vez o quão maravilhosamente bem, sempre em prol do povo e jamais em benefício próprio, trabalham.
A jornalista Cora Rónai tratou de escrever um artigo providencial que saiu no jornal "O Globo" do Rio, cujo título não deixa dúvidas sobre o estado de espírito que anda pairando no ar, ganhando força pelas ruas, nos cabeleireiros, nos ônibus, botecos, escritórios, nas seções de cartas de leitores, na internet, enfim: "Bando de traíras irresponsáveis!".
Quando li a notícia, lembrei logo do meu querido parceiro Aldir Blanc, que tão bem resumiu em "Querelas do Brasil"
( e aqui com duplo e garrafal " S " !!):
O Brasil não merece o Brasil.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pelé, Pepe, Coutinho - Edu, Chico e Tom.

Não tem coisa melhor do que as amizades que fazemos ao longo da vida, é o que se leva com a gente mas também o que se deixa por aqui nas memórias, nos corações. Melhor ainda é celebrar isso batendo uma bola ou cantando uma canção linda dessas. Que beleza, que três craques!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Em algum lugar.

Parece que em algum lugar praticamente inacessível ao homem urbano, ali pelo meio da Amazônia de árvores altas e fauna exuberante, existe uma tribo. Uma comunidade que, dizem, por séculos permanece isolada, alheia às transformações sociais, culturais, científicas e tecnológicas como as conhecemos... do Império Acádio na Mesopotâmia às invenções do americano Thomas Edison, da Ilíada e Odisséia de Homero ao Ragtime de Jelly roll Morton, do iluminismo à proliferação maciça da televisão e mais recentemente da internet pelos quatro cantos do globo, das reformas de Solon nas leis em Atenas às inúmeras emendas aprovadas pelo Congresso brasileiro... ah, o Brasil!
Dizem que nessa tribo as crianças são tratadas como crianças, com profundo respeito, sendo integradas de forma harmoniosa e sábia ao mundo dos adultos. Às mulheres e aos homens são reservados a dignidade, justiça, compreensão, liberdade, diversão e arte, ao que todos retribuem com gratidão, generosidade, presteza e honestidade.
As regras de convivência e as "leis", são elaboradas e aprovadas eficientemente, sempre visando claramente o bem comum, nunca o individual ou parcial. E o mais curioso, são seguidas expontaneamente pela maioria, pois acreditam piamente (por algum motivo inexplicável) que se prejudicarem um semelhante arbitrariamente, estariam prejudicando a si próprios.
Portanto têm prazer em ajudar uns aos outros, mantendo-se sempre dispostos a estenderem a mão ao próximo, com leveza e bom humor. Por alguma razão que ainda não se sabe, a civilidade está em voga por lá,  praticada de forma voluntária e prazerosa.
Àqueles que são atribuídos a honrosa incumbência de representarem os demais ( por escolha aberta e democrática), aceitam tal honraria como uma missão importantíssima,  fundamental, e buscam com tanto afinco corresponder às expectativas depositadas.
Não há nenhum representante eleito dono de Castelo ou patrimônio milionário, tampouco desempregados à míngua. Não existem especuladores banqueiros nem governo corrompido, refém e cúmplice de um sistema apodrecido maior do que ele. Não há policiais corruptos, pois sem violência digna de nota não há a necessidade de policiais. Os assuntos são todos resolvidos através do teatro ( arte extremamente cultuada neste povoado), onde os oponentes envolvidos simplesmente "encenam" uma peça em que expõem suas questões e argumentam à exaustão numa espécie de  jogo, até que por fim o perdedor, graciosamente, aceita a vitória do adversário para depois beberem à saúde de todos.
Não há nem mesmo dinheiro, tudo é feito na base de escambo,  mas são avançadíssimos em matemática, astrologia, geologia e botânica, artes plásticas, música, literatura, teatro ( especialmente o de humor, à la Comédia Dell'Arte), e até filosofia.
As palavras de ordem são, como diriam os franceses:  joie de vivre! ou Horácio:  carpe diem!
Dizem que existe, SIM, essa gente...  ali no meio da floresta de árvores altas e fauna exuberante. Ou pelo menos assim quero acreditar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Música, sempre...


Alexandre Desplat - The Curious Case of Benjamin Button
Antonio Sanchez - Migration
Raphael Rabello - Todos os Tons
Mike Moreno - Third Wish
Me'shell NdegeOcello - Confort Woman
Michael Brecker - Pilgrimage
• Ivan Lins - Saudades de Casa
• Muiza Adnet - As canções de Moacir Santos
• The Neil Cowley Trio - Displaced (Bug)
Pierre Boulez: Cleveland Orchestra - Debussy: La Mer, Nocturnes

These days I've been listening to some cool diferent things. One of the things that grabbed my attention was The Curious Case of Benjamin Button's beautiful soundtrack, by Alexandre Desplat. Mike Moreno (New York) happens to be a great composer, besides a wonderful guitar player.
Antonio Sanchez ( from Mexico) is one of my favorite drummers nowadays... his sound, musicality and fluency is just phenomenal.
Raphael is such a beautiful, spetacular guitarist... one of my all time favorites...
Me'shell has this deep groove coming out so naturally, it's so easy to start stepping the foot and want to dance listening to her. Michael Brecker's Pilgrimage is, for me, nothing less than one of the most impressive jazz masterpieces created in a long time. Talking about a pretty song, I just love to listen to Formigueiro, an old song written by Ivan Lins.
The Neil Cowley Trio can bring some interesting textures, it's kinda 'New York oriented', even though you can tell from the very first listening they're from London, by the way they play.
I've been listening to the noturnos and La Mer, by Debussy, since as I can remember, and I like very much this recording by the Cleveland Orchestra. So much music... so little time...

terça-feira, 17 de março de 2009

Obamis


Tá certo que os eleitores do Obama nem sequer sonham em compreender a estampa ao lado. Mas pra quem conheceu o saudoso Mussum, aí vai. Só no Brasil...

terça-feira, 10 de março de 2009

O mundo diante dos olhos.


Semana passada recebi um telefonema de um grande amigo saxofonista, colega de faculdade da época de Berklee e hoje também montador de filmes; Marcio Soares.
É engraçado que, toda vez que ouço a voz dele ao telefone, imediatamente lembro das horas e horas diárias na practice room com a guitarra nas mãos, do frio da New England, das fantásticas aulas com os professores Ed Tomassi ( "you dig??"), Mick Goodrick, Hal Crook, dos divertidíssimos ensembles e concertos nas salas 1A, 1W e BPC...dos intervalos e cafés do Starbucks da Mass. Avenue ou daquele Bagel com cream cheese no Dunkin' Donuts ( que, acreditem, é muito diferente dos daqui... até hoje não sei porque). Lembro do primeiro semestre de arranjo "Chord Scales Voicings for Arranging". Éramos em cinco alunos na classe; Anat Cohen, Miguel Zenon, Alon farber, Avishai Cohen e eu. Como nos divertíamos ao gravar os nossos próprios arranjos... uma festa!
E depois de finda a longa jornada de aulas, tínhamos ainda forças para nos reunirmos nas ensembles rooms e tocarmos em animadas Jams que duravam das seis da tarde à meia noite, às vezes duas da manhã... que maravilha!
Parece que de repente me volta aquele filme todo, nítido, cristalino.
Tenho saudade do tempo em que vivíamos música vinte e quatro horas por dia. Durante dois anos e meio tocamos, escutamos, pesquisamos, praticamos música o tempo todo; um bando de malucos.
- Chico? é o Marcio! Tudo bom por aí? -  já disparando o motivo da ligação:
- Você já checou com caaalma ( assim mesmo, enfatizando o "calma") o Google Maps atualmente? É muito impressionante... precisa ver. Por exemplo, se digitar "Boston, Boylston St", abre-se aquele mapa onde visualiza-se a rua, coisa e tal. Até aí nada de mais, não é?
Pois é, acontece que há agora um ícone de um pequeno boneco no alto da página que, clicando e arrastando para uma determinada rua ou lugar... a imagem se abre bem à sua frente, como se você estivesse de corpo presente,  imagem real!!! É inacreditável. Você caminha virtualmente pelas ruas, enxergando um raio de 360º!
Eu pensei comigo "não é possível".
Desliguei o telefone e logo entrei no tal "Maps" digitando um nome de rua assim, para experimentar. Comecei por uma que conhecia bem, onde residi por dois anos e meio: "Edgerly Road". 
E qual não foi minha surpresa, um tremendo susto na verdade, quando a imagem familiar e absolutamente real (como uma fotografia em 360º) pulou na minha tela. Exatamente como meu amigo tinha descrito!
Fui me emocionando, mas ao mesmo tempo ainda um pouco cauteloso, incrédulo... era aquilo mesmo? Continuei clicando, me aproximando do meu ex-edifício, virando para um lado e outro enquanto caminhava, testando o alcance da visão oferecida pelo mapa.
Era tudo como imaginava; o jardim, o meio-fio, a entrada do edifício.
Experimentei ir até o fim da minha rua, virar à direita na Haviland St e "caminhar" em direção à Mass Ave, por um quarteirão, até a Berklee, como tantas vezes havia feito in loco.
A certa altura, já perto da escola, virei o cursor à esquerda, como se virasse a cabeça na vida real, estava ali: Starbucks! Depois virei à direita: Dunkin' Donuts. Não era possível!
Fui mais adiante clicando nas setas para enfim reconhecer... já com um sorriso no rosto, o inconfundível prédio da Universidade. A imagem retratada era de um dia de sol, parecia primavera. Não acreditei.
Fiquei ali, mais de uma hora na frente da tela, os olhos fixos, a cabeça rodando. Explorei as ruas, virando de esquina em esquina, reconhecendo cada cantinho (que surpreendentemente permanecia bem próximo do que guardava em minha memória).
Liguei de volta pro meu amigo Marcio e perguntei:
- Será que dá pra ver quem está tocando no Symphony Hall hoje?
Ele riu - Daqui há uns dois anos, quem sabe Chico... de repente até escutar o concerto virtualmente. Se estiverem tocando um Debussy, melhor ainda!
Mas aí - pensei comigo - talvez prefira estar lá primeiro, ao vivo, vendo e ouvindo, ainda que seja pra enfrentar aquele frio de lascar da New England, para aí sim, voltar pra casa e contemplar a tela... cheio de saudade.



sexta-feira, 6 de março de 2009

Good memories from Idaho.


Edu Ribeiro, Paulo Paulelli, CP, Anthony Wilson, Mike Moreno.
This picture was taken just after the gig at LH Jazz Fest.
Even taken from a phone camera it looks so nice, it brings me some good memories from Idaho.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Yes or No

I remenber as if it was yesterday... the very first time I've listened to Branford Marsalis music.
I was 12 yers old at the time, and I bought an album, Random Abstract, where they've recorded Yes or No, by Wayne Shorter,and a beautiful version of I thought about you ( a truly homage to Ben Webster) with a great quartet: kenny Kirkland, Dilbert Felix and Lewis Nash. That completely blowed my mind away, and still doing it!! (Here's a version with Bob Hurst on bass and Jeff 'Tain' Watts on drums, for me one of the best Swingin´ Quartets ever!).
This interesting video is a clip taken from a fantastic documentary called Before the music dies, by Andrew Shapter and Joel Rasmussen.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Biografias.

Li há pouco a biografia de Antonio Carlos Jobim escrita por Sérgio Cabral que, mesmo contendo inúmeros erros de português (na realidade eram erros claros de datilografia que ficaram por pura falta de revisão), me agradou muito.
Uma biografia bem escrita é sempre aquela coisa fascinante, especialmente se a vida em pauta é de alguém tão querido como Tom Jobim.
Foi interessante ver o contraste entre as visões de Sérgio e Helena Jobim, que há algum tempo também escreveu sobre o maestro o belíssimo e comovente Um Homem Iluminado
São duas abordagens tão distintas quanto amorosas sobre o compositor: a fraternal, emotiva, íntima, "caseira" de Helena e a do "grande músico, amigo e querido por todos", mais factual e detalhada sobre o artista Jobim, de Cabral. 
Isso é muito natural: sempre que houver duas ou mais versões sobre um mesmo fato, estas apresentarão cores e luzes originais, isso desde que o homem é homem.
Para ilustrar essa verdade, basta perguntar a dois amigos sobre um episódio testemunhado por ambos: tipo um jogo de futebol, melhor, uma final de Campeonato! 
Teremos no mínimo dois jogos, quiçá duas epopéias... e se forem torcedores opostos, aí é que provavelmente não reconheceremos a mesma peleja narrada por um e outro!
Um anjo pornográfico (Nelson Rofrigues); Estrela Solitária (Garrincha); Carmen (Carmen Miranda); todas de Ruy Castro, são biografias que lemos em dois, três dias. Ao mesmo tempo leves e ágeis, mas ricas em detalhes, gostosas de ler.
Já as autobiografias têm aquele "quê" de especial, de secreto. Parece que o fato do próprio biografado escrever nos proporciona um acesso privilegiado, quase irrestrito de sua história, mesmo que estilisticamente possa não ser tão bem acabado ( em muitos casos o autobiografado faz sketches, rascunhos, e acaba contando com a ajuda de profissionais que amarram tudo de forma mais inteligível, dando rítmo, etc).
Miles Davis, Santo Agostinho, Carl Gustav Jung, Sting e tantos outros escreveram memórias sobre si próprios que seguramente nenhum outro poderia fazer melhor. 
Se as passagens descritas por eles não são de todo verdadeiras, se trazem imprecisões ou mesmo criações inverossímeis, talvez isso é o que menos importe.
A viagem aqui é outra: uma possível visão poética (seja crítica, autopiedosa, complacente, convencida, bem humorada, implacável, etc) e, principalmente, "desejada"... de alguém sobre si mesmo. 
E é aí que melhor se traduz o biografado, quer ele queira ou não (em outras palavras: mesmo que procure desesperadamente se esconder, será em vão). Pois a realidade não se encontrará em palavras ou fatos, mas sim nas entrelinhas.  
Talvez nem mesmo ele se dê conta disso, nem nós, nem ninguém, graças a Deus; o imponderável!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Música em doses generosas


Viajar sobre quatro rodas pode ser uma experiência e tanto. Sempre gostei de sair por aí, pegar a estrada.
Dependendo das condições do tempo, da boa companhia e, claro, da trilha, a jornada pode se tornar algo realmente agradável.
Essa seleção veio conosco na última viagem, voltando da Planície para a cidade grande.
Música em doses não homeopáticas:

Sting - All This Time
Nicolas Folmer ( Paris Jazz Big Band) - Fluide
Gilfema - Gilfema + 2
Gilberto Gil & Jorge Ben - Gil & Jorge
Marcos Suzano & Lenine - Olho de Peixe
Wynton Marsalis - Standard Time Vol I
Dorival Caymmi - Eu não tenho onde morar
Bernard Herrmann - Blue Denim
Gustav Mahler - Mahler Lieder

sábado, 31 de janeiro de 2009

Tudo em perspectiva.

" O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos."


Relendo recentemente a poesia de Manoel de Barros foram me ocorrendo alguns pensamentos assim a esmo, que depois de descansarem um tanto voltaram a despertar furtivamente em minha cabeça.
É que lendo um bocado aqui e acolá, fui me enternecendo a cada palavra, cada verso - não só pelo engenho do poeta em construir passagens profundas, singelas, ou por vezes pinceladas com finas 'tiras' de humor - mas desta vez o que mais me entreteve foi reparar a coexistência pacífica e certeira entre a regionalidade e universalidade de sua obra.
O matogrossense Manoel versava partindo daquela pequena formiga recortando a folha da roseira, as aves em revoada, os peixes no rio, as veias da terra arada, enfim, os detalhes escondidos em cada pedaço de chão, tudo era matéria prima para a 'arquitetura' de sua arte. Nas palavras dele: "As coisas que não levam a nada têm grande Importância. Cada coisa sem préstimo tem seu lugar na poesia ou na geral."
E basta um gaúcho, carioca, moçambicano ou lisboeta afeitos a um 'causo' bem contado deitarem os olhos sobre os poemas de Manoel para descobrirem a beleza neles, compreenderem e se comoverem como eu, paulistano longe de ser um expert em Pantanal, me comovi.
Enfim, a idéia que me ocorreu é a de que estamos, pouco a pouco, ficando literalmente 'anestesiados' às sutilezas que se apresentam à nossa frente, no dia-a-dia, como pedras preciosas tão óbvias e reluzentes que simplesmente não enxergamos.
Queremos ver de tudo mesmo que muito pouco minuciosamente (quanto mais e mais rápido, melhor!). Não é muito atraente repararmos com atenção só do 'pouquinho' que está à nossa volta... afinal, na corrida desenfreada da chamada fast-life ( em alusão à fast-food), como podemos prestar atenção aos detalhes? Um sorriso em uma situação momentânea engraçada, um franzir de testa num bate-papo inusitado, um comentário interessante e inesperado... tudo pode se perder, indo embora com o vento... e a vida segue.
Pois são esses, precisamente, os objetos daqueles cuja matéria prima é a pedra preciosa escondida mas reluzentemente óbvia e ululante!
São os sabidos que reparam nessas pedras de cada anel por trás da mão que as ostenta... em cada palavra; verbo, preposicão, adjetivo ou mesmo artigo por trás de uma frase ou parágrafo ... em cada tensão de cada acorde por trás de uma certa canção, em cada cantinho de uma paisagem, por mais escondido que seja.
João do Vale era assim, Guimarães Rosa idem. Jobim, Chaplin, Monk, Machado, Gershwin, Niemeyer, Calder, Garoto ... tantos outros foram assim e seguramente nosso poeta Manoel de Barros faz bonito nesse time - arquitetos da sutileza, tudo em perspectiva.
E viva a formiga, caro Manoel!