sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Yes or No

I remenber as if it was yesterday... the very first time I've listened to Branford Marsalis music.
I was 12 yers old at the time, and I bought an album, Random Abstract, where they've recorded Yes or No, by Wayne Shorter,and a beautiful version of I thought about you ( a truly homage to Ben Webster) with a great quartet: kenny Kirkland, Dilbert Felix and Lewis Nash. That completely blowed my mind away, and still doing it!! (Here's a version with Bob Hurst on bass and Jeff 'Tain' Watts on drums, for me one of the best Swingin´ Quartets ever!).
This interesting video is a clip taken from a fantastic documentary called Before the music dies, by Andrew Shapter and Joel Rasmussen.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Biografias.

Li há pouco a biografia de Antonio Carlos Jobim escrita por Sérgio Cabral que, mesmo contendo inúmeros erros de português (na realidade eram erros claros de datilografia que ficaram por pura falta de revisão), me agradou muito.
Uma biografia bem escrita é sempre aquela coisa fascinante, especialmente se a vida em pauta é de alguém tão querido como Tom Jobim.
Foi interessante ver o contraste entre as visões de Sérgio e Helena Jobim, que há algum tempo também escreveu sobre o maestro o belíssimo e comovente Um Homem Iluminado
São duas abordagens tão distintas quanto amorosas sobre o compositor: a fraternal, emotiva, íntima, "caseira" de Helena e a do "grande músico, amigo e querido por todos", mais factual e detalhada sobre o artista Jobim, de Cabral. 
Isso é muito natural: sempre que houver duas ou mais versões sobre um mesmo fato, estas apresentarão cores e luzes originais, isso desde que o homem é homem.
Para ilustrar essa verdade, basta perguntar a dois amigos sobre um episódio testemunhado por ambos: tipo um jogo de futebol, melhor, uma final de Campeonato! 
Teremos no mínimo dois jogos, quiçá duas epopéias... e se forem torcedores opostos, aí é que provavelmente não reconheceremos a mesma peleja narrada por um e outro!
Um anjo pornográfico (Nelson Rofrigues); Estrela Solitária (Garrincha); Carmen (Carmen Miranda); todas de Ruy Castro, são biografias que lemos em dois, três dias. Ao mesmo tempo leves e ágeis, mas ricas em detalhes, gostosas de ler.
Já as autobiografias têm aquele "quê" de especial, de secreto. Parece que o fato do próprio biografado escrever nos proporciona um acesso privilegiado, quase irrestrito de sua história, mesmo que estilisticamente possa não ser tão bem acabado ( em muitos casos o autobiografado faz sketches, rascunhos, e acaba contando com a ajuda de profissionais que amarram tudo de forma mais inteligível, dando rítmo, etc).
Miles Davis, Santo Agostinho, Carl Gustav Jung, Sting e tantos outros escreveram memórias sobre si próprios que seguramente nenhum outro poderia fazer melhor. 
Se as passagens descritas por eles não são de todo verdadeiras, se trazem imprecisões ou mesmo criações inverossímeis, talvez isso é o que menos importe.
A viagem aqui é outra: uma possível visão poética (seja crítica, autopiedosa, complacente, convencida, bem humorada, implacável, etc) e, principalmente, "desejada"... de alguém sobre si mesmo. 
E é aí que melhor se traduz o biografado, quer ele queira ou não (em outras palavras: mesmo que procure desesperadamente se esconder, será em vão). Pois a realidade não se encontrará em palavras ou fatos, mas sim nas entrelinhas.  
Talvez nem mesmo ele se dê conta disso, nem nós, nem ninguém, graças a Deus; o imponderável!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Música em doses generosas


Viajar sobre quatro rodas pode ser uma experiência e tanto. Sempre gostei de sair por aí, pegar a estrada.
Dependendo das condições do tempo, da boa companhia e, claro, da trilha, a jornada pode se tornar algo realmente agradável.
Essa seleção veio conosco na última viagem, voltando da Planície para a cidade grande.
Música em doses não homeopáticas:

Sting - All This Time
Nicolas Folmer ( Paris Jazz Big Band) - Fluide
Gilfema - Gilfema + 2
Gilberto Gil & Jorge Ben - Gil & Jorge
Marcos Suzano & Lenine - Olho de Peixe
Wynton Marsalis - Standard Time Vol I
Dorival Caymmi - Eu não tenho onde morar
Bernard Herrmann - Blue Denim
Gustav Mahler - Mahler Lieder

sábado, 31 de janeiro de 2009

Tudo em perspectiva.

" O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos."


Relendo recentemente a poesia de Manoel de Barros foram me ocorrendo alguns pensamentos assim a esmo, que depois de descansarem um tanto voltaram a despertar furtivamente em minha cabeça.
É que lendo um bocado aqui e acolá, fui me enternecendo a cada palavra, cada verso - não só pelo engenho do poeta em construir passagens profundas, singelas, ou por vezes pinceladas com finas 'tiras' de humor - mas desta vez o que mais me entreteve foi reparar a coexistência pacífica e certeira entre a regionalidade e universalidade de sua obra.
O matogrossense Manoel versava partindo daquela pequena formiga recortando a folha da roseira, as aves em revoada, os peixes no rio, as veias da terra arada, enfim, os detalhes escondidos em cada pedaço de chão, tudo era matéria prima para a 'arquitetura' de sua arte. Nas palavras dele: "As coisas que não levam a nada têm grande Importância. Cada coisa sem préstimo tem seu lugar na poesia ou na geral."
E basta um gaúcho, carioca, moçambicano ou lisboeta afeitos a um 'causo' bem contado deitarem os olhos sobre os poemas de Manoel para descobrirem a beleza neles, compreenderem e se comoverem como eu, paulistano longe de ser um expert em Pantanal, me comovi.
Enfim, a idéia que me ocorreu é a de que estamos, pouco a pouco, ficando literalmente 'anestesiados' às sutilezas que se apresentam à nossa frente, no dia-a-dia, como pedras preciosas tão óbvias e reluzentes que simplesmente não enxergamos.
Queremos ver de tudo mesmo que muito pouco minuciosamente (quanto mais e mais rápido, melhor!). Não é muito atraente repararmos com atenção só do 'pouquinho' que está à nossa volta... afinal, na corrida desenfreada da chamada fast-life ( em alusão à fast-food), como podemos prestar atenção aos detalhes? Um sorriso em uma situação momentânea engraçada, um franzir de testa num bate-papo inusitado, um comentário interessante e inesperado... tudo pode se perder, indo embora com o vento... e a vida segue.
Pois são esses, precisamente, os objetos daqueles cuja matéria prima é a pedra preciosa escondida mas reluzentemente óbvia e ululante!
São os sabidos que reparam nessas pedras de cada anel por trás da mão que as ostenta... em cada palavra; verbo, preposicão, adjetivo ou mesmo artigo por trás de uma frase ou parágrafo ... em cada tensão de cada acorde por trás de uma certa canção, em cada cantinho de uma paisagem, por mais escondido que seja.
João do Vale era assim, Guimarães Rosa idem. Jobim, Chaplin, Monk, Machado, Gershwin, Niemeyer, Calder, Garoto ... tantos outros foram assim e seguramente nosso poeta Manoel de Barros faz bonito nesse time - arquitetos da sutileza, tudo em perspectiva.
E viva a formiga, caro Manoel!

domingo, 25 de janeiro de 2009

The future of Music

Como havia comentado anteriormente, aqui vai o link para o livro organizado por Irineu Perpétuo e S. Amadeu.
Trata-se de um conjunto de textos sobre as possibilidades do futuro da música com a proliferação da mídia digital em detrimento das mídias "físicas", enfim, algo bem abrangente. Nele assino o texto "Mudança dos ventos à vista ".
Abraços!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

SP/ janeiro... começou o ano!

Olá a todos!
Primeiro, queria novamente agradecer e dizer o quanto me honra a presença e participação de vocês por aqui, não só por tanto dinamizar o blog, mas generosamente fazer dele o que justamente se proprõe a ser : um espaço descontraído e aconchegante para se bater papo, trocar idéias, celebrar o contato entre as pessoas.
Essa semana e semana que vem há duas participações em shows aqui em São Paulo.
Uma é no concerto do meu parceiro e produtor de dois de meus cds, Swami Jr, violonista e compositor ( hoje, lá no SESC Ipiranga). A outra, embora tenha sido anunciada equivocadamente como sendo meu show, é também uma participação na apresentação do pandeirista de Jazz norte americano Scott Feiner ( dia 21, no Sesc Vila Mariana) que conheci recentemente quando toquei com Esperanza Spalding no Rio de Janeiro.
Tem também o lançamento de um livro de artigos intitulado "O futuro da música depois da morte do CD" ( dia 22, em breve publico aqui o texto que escrevi) e, por fim, um bate-papo/ workshop no SESC Consolação ( dia 24) sobre violão e guitarra, composição, improvisação, parcerias... etc.
Um abraço e bom fim de semana!

domingo, 18 de janeiro de 2009

Blindfolded listening


Hi there Folks,
This weekend I've been hearing to some interesting stuff on my Ipod while driving my car.
I must confess that in the past I use to be that kind of "against any blindfolded Ipod playlists" type of person, and that's a reason for that: I was afraid that it could happen that I fell in love with some music and, by the time I look to the screen searching for the artist's name... it's just saying: "track 4, unknown artist"; that's sad, and believe me, it happens more often than you think!
All my life I just love to seek the personnel information on any album... I mean; each player, arranger, songwriter, and so on.
Anyway, that fear vanished after I found out that: yes we can do it, to find out a certain artist "hidden" behind some lack of information!
Let's say: someone tells me about some album and I end up including it on my Ipod.
If for some reason I don't have the personnel information, or even the main artist from that album, I still can google that particular album, just having the tracks lengths... and problem solved, the rest you'll be able to find easily, Voilà!

Here we go:

Tigran Hamasyan Trio - New Era
Gabriele Mirabassi e Guinga - Graffiando Vento
Jamiroquai - Emergency on Planet Earth
João Donato - A Bad Donato
Lenine - Labiata
Toninho Horta - From Ton to Tom
Maysa - Barquinho
John Mayer - Inside wants out
Joni Mitchell - Both Sides Now
Kenny Kirkland - Kenny Kirkland

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Stand by me

I've received this from a dear friend...
I aways loved the Beatles, and John Lennon, who sang this song
beautifully ( it's a song by Ben E. King, Jerry Leiber and Mike Stoller).
So, here's another version, also great.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

One Man Band / diletantismo e profissão.

Outro dia li uma matéria sobre o historiador, ensaísta, crítico literário, professor e jornalista Sérgio Buarque de Holanda.
Fiquei admirado, pensando cá comigo: interessante como certas pessoas têm essa aptidão inerente, uma destreza natural em não apenas um, mas múltiplos campos profissionais.
No caso de Sérgio, cada um desses ofícios por ele desempenhados já trariam prestígio a qualquer trabalhador dedicado, desde que bem exercidos, evidentemente.
Mas ele não se deteve a apenas uma seara específica. Esse artigo falava justamente disso, por ocasião do recente lançamento de seu livro não publicado de contos ( área que não era a considerada de sua especialidade): A viagem à Napoles.
Enfim, fiquei divagando sobre a linha tênue entre diletantismo e atividade profissional.
Muito difícil dizer ao certo onde começa um e termina o outro, em se tratando sobretudo das artes pois, de repente, quando menos esperamos podemos estar ganhando a vida com algo novo e surpreendente, outrora considerado apenas um passatempo.
Não raro, surge-nos aquela vontade de se aventurar por outras praias, sejam as de sonho de criança ("quando crescer quero ser...") não concretizadas, ou pelo simples desejo de arriscar-se em algo original, inexplorado, enfrentando o desafio de "mares nunca dantes navegados".
A verdade é que há, sim, casos interessantes de artistas e profissionais atuantes em diferentes áreas e, em alguns casos, tão díspares quanto se possa imaginar.
Alguns deles fazem da somatória de atividades seu ganha-pão, em outros casos uma delas pode ser o refresco para a outra (geralmente a que sustenta o indivíduo), uma diversão, remunerada ou não.
Veja o caso de Guinga : sendo o fantástico compositor que todos conhecemos, também atende por " doutor Carlos Althier", no papel de dentista (hoje por puro hobbie), e aqueles que já estiveram em seu consultório garantem que também é um verdadeiro "artista" das obturações, canais e afins.
Chico Buarque, fazendo jus ao sobrenome do pai, além do compositor que dispensa quaisquer comentários, tornou-se romancista, escrevendo livros como Budapeste e Estorvo.
Ed Motta se valeu de suas habilidades de conhecedor de vinhos para criar várias cartas, menus de restaurantes e Hoteis, inclusive do Emiliano, um dos mais sofisticados de São Paulo. Dizem por aí que se sai muito bem como sommelier, apresentando ainda um programa de rádio: Empoeirado.
Caetano Veloso, que na juventude aspirava ao posto de cineasta, chegou a dirigir o filme Cinema Falado, além de ter escrito o livro Verdade Tropical. Em ambos os casos já era o magnífico compositor e cantor, que viera de Santo Amaro da Purificação para o mundo.
Vinícius de Moraes já é um caso à parte: poeta, compositor, bon vivant e diplomata... dos bons!
Charles Chaplin não se limitou a expressar a genialidade em seus impagáveis filmes, seja como ator ou diretor, mas o fez também como compositor!! Na minha opinião, escreveu uma das mais belas canções de todos os tempos: Smile ( que foi parte da trilha de Tempos Modernos, e tem até uma versão em português interpretada por Djavan).
E a lista vai longe; Luis Tatit ( professor de semiótica, ensaísta e músico), Frank Sinatra ( ator e cantor, uma combinação relativamente comum nos Estados Unidos), Paulo Vanzolini ( zoólogo e compositor, vejam vocês!), Mário de Andrade ( poeta, romancista, musicólogo, professor, crítico e ensaísta), Zé Miguel Wisnik (professor de literatura, escritor, músico), só para citar alguns pouquíssimos exemplos.
Se formos observar bem lá atrás, aí a coisa se complica e a lista se estende ainda mais, até pela formação polivalente que era tida como normalíssima, em oposição à formação especializada nos dias de hoje, de extrema conveniência ao nosso sistema capitalista à la "apertadores de parafuso", como retrataria esplendidamente Chaplin já em 1936);
Galileu Galilei( físico e matemático, escritor, filósofo...), Pitágoras (físico e matemático, filósofo, músico...). Isso sem contarmos o maior e mais brilhante exemplo de polivalência da História, Leonardo da Vinci (pintor, matemático, escultor, arquiteto, físico, escritor, engenheiro, poeta, cientista, botânico, músico...)
Uma breve reflexão nos levaria à seguinte conclusão animadora: sejam lá quais forem suas paixões, vocações, dons ou como queiram chamar... tudo vale a pena, se a alma não é pequena, já diria Fernando Pessoa ( poeta, jornalista, publicitário....)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Jymmy Wyble, a treasure to be discovered

Recebi ontem uma mensagem de uma grande figura de Los Angeles, um sujeito sensacional que atende pelo nome de Bob Barry. Trata-se de um fotógrafo especializado em Jazz que me foi apresentado por Anthony Wilson e John Pisano num jantar musical e etílico na casa dos Pisanos. Era uma tarde de primavera, maio de 2007. Mais do que um artista, Bob é um bon vivant apaixonado por música, guitarras e bom papo. Fisicamente, um típico personagem, digno de filmes de Francis Ford Coppola ou Martin Scorcese. Don Vito Corleone ou Tommy DeVito cairiam como uma luva em seu biotipo. Por fim, para se entender o quão hilário ele pode ser, basta uma tarde de conversa fiada com esse gentleman e terás a garantia de risos à toda prova.
Mas vamos ao motivo desse post: a tal mensagem eletrônica de Bob trazia em attachment esse vídeo muito bonito, com fotos do evento em homenagem a um certo músico texano... resumindo, um dos guitarristas mais impressionantes que já ouvi: Jymmy Wyble.
Quando Anthony me mostrou pela primeira vez esse guitarrista em 2007 ( sou-lhe eternamente grato por isso), trouxe um CDR que lhe foi entregue pelas próprias mãos de Jymmy. Lembro-me, como se hoje fosse, de suas proféticas palavras: "This will blow your mind!!". Logo ao escutar a faixa de abertura, Prelude to a Kiss, tive a mesma sensação que há muito tive ao ouvir a primeira vez Garoto, Wes Montgomery, Baden Powell ou Metheny, uma emoção indescritível.
Senti-me então um completo ignorante por nunca ter ouvido falar de um guitarrista desse calibre e genialidade. Foi quando Anthony me contou a história esclarecedora e ainda mais comovente sobre esse senhor: Jimmy Wyble não poderia mesmo ser conhecido, especialmente pelas gerações mais novas: Por motivos pessoais, tornou-se um homem recluso, assim permanecendo por anos e anos. Raramente saía de casa para tocar ou mesmo para ouvir outros colegas e amigos, embora sempre tenha sido um homem generoso e muito, muito querido. Só recentemente Jymmy voltou a sair, socializar-se mais e novamente se apresentar tocando sua magistral guitarra para que todos possam, mais uma vez, se curvar diante de seu assombroso talento.
Tive a honra de conhecê-lo pessoalmente no concerto que fizemos ano passado, o " Guitar's Night", em Los Angeles. Jymmy esteve lá.
Só de vê-lo de perto e trocar algumas poucas palavras com ele, entendi tudo.

Jymmy Wible himself


Jymmy Wible's piece

Jymmy Wible himself

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A great song is always a great song.

A great song, no matter what, is always a great song. This is a classic example of that ( in a GOOD way), I particularly always loved this Woody Allen's version of this beautiful tune.
He's singing it as simple as you could sing, surronded by a gourgess and very sutil arrangment.

It's worthed to check the Keith Jarrett's version from the album The Melody At Night, With you, and Diana Krall's Version, from the album All for you, as well.

I'M THROUGH WITH LOVE ( Matt Maineck, Gus kahn. J. Livingston)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mercado Cultural em Salvador

Logo ao desembarcarmos no Hotel em Salvador, por ocasião do Mercado Cultural que acontece na cidade anualmente, deparamo-nos com o clima de extrema camaradagem e profissionalismo que envolvia a estrutura toda (staff e artistas), uma coisa muito bacana e a combinação ideal para qualquer viagem.
Já sabíamos da importância desse evento intercontinental, mas de fato foi surpreendente e gratificante estar em contato (bem de perto) com a música de nossos países vizinhos, tão próximos mas ao mesmo tempo tão distantes... explico:
É mais fácil estarmos inteirados sobre uma nova banda pop-rock Norueguesa ou aquele rapper do subúrbio de Paris do que a cena musical que nos envolve pelas fronteiras; Venezuela, Peru, Colombia, Argentina, Peru ou Bolivia...
Isso é fato mas, sem entrar em detalhes sobre os motivos desse relativo distanciamento cultural ( pelo menos no que diz respeito a música), digo que ter conhecido o trabalho do cantor de Madagascar Rajery, o grupo de quatristas venezuelanos C4, reouvir o trabalho do projeto América Contemporânea (com Aquiles Baez, Lucía Pulido, Luis Solar Narciso, Benjamim e João Talbkin, Ari Colares, Alvaro Montenegro), além de outros músicos interessantes e pessoas agradabilíssimas, foi e sempre será daquelas experiências prazerosas e inesquecíveis.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

São Paulo traffic...


The only thing we can do about facing the São Paulo traffic (my dear hometown) showing some civilized manners is to charge your Ipod and enjoy some good music while driving, and relax...that's the best way out from getting nuts, garanteed!
Here's my playlist from this past week:

Glazunov - Glazunov: The Sea, Oriental Rhapsody, Ballade
Gerald Wilson - Monterey Moods
Chico Buarque - Almanaque
Milton Nascimento & Belmondo - Milton Nascimento & Belmondo
Paulinho da Viola - Prisma Luminoso
• Burt Bacharach & Elvis Costello - Painted from Memory
Joe Henderson - So near so far
Maria João e Mário Laginha - Chorinho Feliz
Sylvain Luc - Trio Sud
Zé Miguel Wisnik - Pérola aos poucos
André Mehmari - Lachrimae

Obrigado ao pessoal de San Diego

No último dia 23 de Novembro recebi um e-mail da California que me deixou profundamente emocionado.
É que atualmente vivemos essa realidade de extrema volatilidade, tudo passando sob nossos olhos tão rapidamente, transformando-se como se numa espécie de "estado líquido", que nem mesmo sabemos qual o propósito de tudo o que plantamos em meio a essa efemeridade constante das coisas, uma aparente areia movediça!
O que é real e o que é virtual, fictício? Parece que não sabemos mais. Nesse ponto, confesso, a internet nos confunde sobremaneira. Separar o joio do trigo nesse universo de um bilhão de informações, entre as verdades e os factóides a que a rede nos expõe, inclusive invadindo diariamente nossas caixas postais, não é das tarefas mais fáceis!
É como naquele livro de Zygmunt Bauman "Modernidade Líquida", ou a velha questão que sempre esteve no ar: Quo vadis?...
Pois bem, voltando à mensagem, ela me contava de uma recente homenagem, um concerto realizado na cidade de San Diego semana passada; 'Chico Pinheiro Tribute Concert'.
A flautista e uma das participantes do tributo, Louisa West, reportava-me entusiasmada sobre o que acontecera naquela noite de Domingo; o repertório, arranjos, formações e bandas participantes, os três sets que compunham o show.
Fiquei surpreso e maravilhado com tamanho cuidado nos pequenos detalhes; a transcrição dos temas, dos solos, instrumentações, a dedicação e tempo empenhados por todos os envolvidos no projeto.
Isso me fez lembrar da pergunta de um grande amigo, Márcio Soares (hoje um dos grandes montadores de cinema e TV do país, também saxofonista e Clarinetista de Jazz) durante nossos tempos de Berklee: "Chico, qual o seu sonho pro futuro?" Ao que respondi: "Trabalhar! E, se possível, sempre com boa música".
A todo o carinho e generosidade que vem de longe, a Kamau Kenyatta e membros do University of California's Jazz Studies Department, a todos os músicos participantes, envio de volta um abraço afetuoso: Muito obrigado pessoal!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Omara Portuondo & Maria Bethânia

Há algum tempo fomos ao show de Maria Bethânia, em São Paulo. Mais precisamente, ao lançamento de seu cd 'Brasileirinho'. Há muito não ouvia Bethânia in loco até que, finalmente, voltei a vê-la em ação naquela performance fantástica, um verdadeiro marco para mim como espectador. Aquele espetáculo foi a confirmação inconteste do que já era sabido mas que, naquela noite em especial, foi de vez sacramentado (ao menos pra gente): Bethânia é, sem dúvida, uma das grandes cantoras da atualidade, uma artista extraordinária. Durante o concerto, eu e Lu fomos arrebatados pelo ritual mágico, momentos que literalmente lembravam-nos do 'porquê' de sermos músicos, de como era fundamental nos postarmos em relação a nossa arte, nosso ofício sagrado. A relação de Bethânia com sua música é inteira, clara, profunda, direta, e isso é raro e bonito.
D. Omara Portuondo é uma artista que pode ser contundente e terna, sutil e rascante, capaz de cantar uma cançao de ninar da forma mais delicada e um Guaguancó com swingue, potência e maestria sem iguais, e ainda por cima como se nada fosse! Omara representa da forma mais natural, respeitosa e legítima "aquela" Cuba; de Cachao Lopez, José Antonio Méndez, César Portillo de la Luz, Perez Prado, Ibrahim Ferrer, a da época dourada dos anos 50. Honra e faz questão de carregar a melhor tradução musical de seu país que vem desde Ernesto Lecuona, Leo Brouwer e outros bambas.
O DVD do show de Bethânia e Omara é de uma felicidade sem tamanho ao documentar esse encontro emocionante de duas das músicas mais sensacionais do globo ( junto com a americana) interpretadas por duas de suas mais inspiradas representantes. Nas palavras de Franck Padrón, de Cuba e Brasil é possível se dizer que são " de um pássaro, as duas asas". Isso é bem verdade, e ecoa também em diversos momentos do concerto registrado em "Omara Portuondo & Maria Bethânia Ao Vivo". Liguei para meu amigo Swami Jr. (grande violonista de 7 cordas e brilhante como um dos produtores musicais do projeto, com Jaime Além) e contei-lhe de meu orgulho e felicidade por ele, que aquilo era histórico e muito sério...
Cuba e Brasil são grandes, Omara e Bethânia que nos digam.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Things I've been listening to...


Hi there! These are some of the stuff I've been playing on my IPod lately... I will be posting more soon.

Martha Argerich - Rachmaninoff: Concerto No.3/Tchaikovsky: Piano Concerto No.1
• Bob Belden - Black Dahlia
Gabriel Hernandez - Jazz a lo cubano
Baden Powell - Le Monde Musical De Baden Powell Vol.1
David Sanchez - Cultural Survival
João Gilberto - João
Manuel Valera - Melancolía
• Guillermo Klein - Una Nave

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Grand Bazaar em Istambul


Sempre sonhei, desde pequeno, em conhecer a deslumbrante Constantinopla, Capital do Império Bizantino que, cortada pelo belíssimo estreito de Bhosphorus também divide o Oriente e Ocidente e que cuja queda ( no século 15) deu início ao Império Otomano e a Idade Moderna ( e consequentemente o fim da idade Média, período extremamente interessante e que me causa grande fascínio); hoje conhecida por Istambul.
Pois então: há um documentário fantástico sobre a pujança musical na cidade, o filme Atravessando a Ponte ( Crossing the bridge), do turco-alemão Fatih Akim. É uma viagem musical que traz da cena mais underground aos grupos contemporâneos mais pops e conhecidos, dos sons mais tradicionais orientais, antigas canções, músicos fantásticos como Orhan Gencebay, ao híbrido psicodélico e Hip Hop Turcos! Uma das cenas mais impressionantes é uma Jam session conduzida pelo incrível clarinetista Selim Sesler, dentro de um bar em sua cidade natal, onde todos celebram uma espécie de fusão da música turca e romena, bebendo e tocando muito. Se Confúcio dizia que para se compreender a cultura de qualquer lugar é preciso ouvir a música que vem dali, certamente o filme nos ajuda a entender um pouquinho da antiga Constantinopla e da multi-facetada e frenética Istambul, do estreito de Bhosphorus e de sua gente.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Texto para Cesar Mariano e Romero Lubambo

Esse texto me foi encomendado pelos queridos Cesar e Romero ( há algum tempo) para o lindo dvd "DUO", dos dois ( abaixo).



DUO- Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo

Observando bem a rica trajetória de nossa música, sobre um aspecto certamente chegaremos à seguinte conclusão: assim como no futebol, a reunião de grandes craques não garante um time que nos encha os olhos, nos arrebate. É preciso muito mais do que isso!

Apenas alguns desses raros e inexplicáveis encontros foram capazes de nos fazer rir, chorar e sorrir à toa, na certeza de que vale a pena estar nesse mundo pelo simples prazer de compartilhar destes momentos mágicos.

Assim foi com o lendário “Oito batutas”, de Donga e Pixinguinha nos anos 20, Fred Astaire e Ginger Rogers “flutuando” nos anos 30 ao som de Cheek to Cheek, o Quinteto de Miles Davis, Bill Evans e cia, o Santos de Pelé e Coutinho nos anos 60.

Com o célebre “Samambaia”, nos anos 80, aconteceu mais uma vez um desses momentos mágicos. Esse disco, de Cesar Camargo Mariano e Hélio Delmiro, simplesmente elevou a auto-estima dos instrumentistas de todo país às alturas! Era como se falássemos para nós mesmos: “ Somos brasileiros e temos Cesar Mariano e Helinho Delmiro jogando em nossa seleção, juntos!”. Para todos nós, da geração pós-Samambaia, era a mesma emoção de se ter Pelé e Garrincha jogando pelo Brasil, lado a lado.

Se o acaso muitas vezes se encarrega de trazer os melhores ventos para as boas embarcações, ele foi dos mais generosos com a música brasileira em Julho de 1996, mais precisamente no Festival de jazz de Montreaux, Suíça. Foi de um concerto por lá que nasceu mais uma dessas comunhões extraordinárias, em que Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo dividiram o palco sacramentando mais um encontro único.

Falar de Cesar Mariano como músico, de sua genialidade tocando, arranjando e compondo, é lugar comum tão dispensável como enaltecer qualidades artísticas em Herbie Hancock ou Quincy Jones. Não há como pensar em piano no Brasil e não pensar em seu nome. E onde Cesar coloca seu piano ou sua caneta, músicas adquirem proporções continentais!

Romero Lubambo, finíssimo e absoluto mestre do violão e da guitarra, longe do país por anos e anos e trabalhando com o que há de melhor nos Estados Unidos, pra sorte deles, é referência obrigatória em seu instrumento, uma fonte inspiradora inesgotável cultuada pelo mundo.

Agora, imaginem-se assistindo a um espetáculo desses dois craques atuando juntos com imagem e som ideais! Pois é justamente esta a boa, a grande notícia: Esse encontro acaba de ser documentado em DVD pela Trama, nos proporcionando ver o que ouvíamos no CD homônimo e ainda mais; material extra com bônus tracks, um caprichado documentário gravado nos Estados Unidos e um belo making of, histórias e imagens lindas de tudo que envolveu a realização primorosa do show.

Logo à introdução do primeiro tema, Samba Dobrado, quando as preciosas e esparsas notas do piano encontram as do violão, tem-se a certeza de que, mais do que dois músicos, estão ali no palco dois amigos que se respeitam e admiram profundamente.
Depois Choro nº 7, com lindo solo de Cesar e violão brasileiro, lírico de Romero sobre a tela impressionista dos acordes do piano. A introdução de Fotografia é um capítulo à parte, e o concerto transcorre brilhante, até a última nota!

Tudo soa sofisticadíssimo e ao mesmo tempo simples tocado por esses dois, tema após tema: Jobim, Djavan, Clifford Brown, Ary Barroso, Moacir Santos e eles mesmos, revisitados e reinventados de forma absolutamente original e brasileira.

São 15 músicas desfilando arranjos, performances e histórias tão emocionantes que fica difícil descrevê-las em palavras. Tudo que se dissesse aqui seria pouco se comparado ao prazer de se assistir ao Duo de Cesar e Romero. Ah, isso sim é que é bom!

Chico Pinheiro